<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' version='2.0'><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-11601903</atom:id><lastBuildDate>Sat, 21 Feb 2009 04:26:26 +0000</lastBuildDate><title>O mundo a tinta-da-china</title><description>Aqui, fala-se de tudo. De livros a filmes, de desporto a política. Mas que dêem meia volta aqueles que quiserem debater politiquices e politiqueiros deste mundo. Comunicar é partilhar com os outros. Escrever é apenas um meio para atingir esse fim...</description><link>http://luismateus.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Luís Mateus)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>57</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-11601903.post-111762890328020566</guid><pubDate>Wed, 01 Jun 2005 12:26:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-06-01T13:28:23.283+01:00</atom:updated><title>O "approach" lírico de Zeca Baleiro</title><description>&lt;IMG SRC="http://usera.imagecave.com/lmateus/zeca_baleiro.jpg" align=right&gt;Um dos mais talentosos e criativos músicos brasileiros da actualidade, um cenário de intimidade e o último concerto de uma digressão: Zeca Baleiro no Directv Music Hall, em Julho de 2002. Agora, em DVD.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Líricas” é o nome do trabalho, homónimo do álbum lançado em 2000 e ao qual vai beber grande parte dos temas. Depois de “Por Onde Andará Stephen Fry?” e “Vô Imbolá”, o terceiro e penúltimo CD - “Pet Shop Mundo Cão” é o seu trabalho mais recente - significou uma mudança de rumo. É mais calmo, acústico e menos rítmico que os antecessores. É esse estado de espírito que reflecte o DVD. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cenário lembra uma sala onde três músicos se encontraram para tocar. E a intimidade com o público surge à medida que os temas se sucedem, que Zeca vai mandando piropos e contando histórias e piadas. Hinos como “Minha Casa”, “Comigo”, “Stephen Fry?”, “Quase Nada”, “Babylon” e “Proibida para Mim” incendeiam o ambiente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se mais de uma hora e vinte minutos não chegassem para nos convencer da sua qualidade, os três temas-extra são absolutamente fabulosos: “Bienal”, “Samba do Approach” e “Nalgum Lugar”. Depois, para os fãs, há ainda os videoclips “Proibida para Mim” e “Quase Nada” e o “making of” deste último. Uma entrevista de 11 minutos, uma galeria de fotos e cenas cortadas completam este DVD imprescindível para quem gosta de música popular brasileira. Ficou convencidos. Nós ficámos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11601903-111762890328020566?l=luismateus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://luismateus.blogspot.com/2005/06/o-approach-lrico-de-zeca-baleiro.html</link><author>noreply@blogger.com (Luís Mateus)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-11601903.post-111650706959952752</guid><pubDate>Thu, 19 May 2005 12:50:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-05-19T13:51:09.606+01:00</atom:updated><title>Sugestões de leituras (de 20 a 26 de Maio)</title><description>&lt;strong&gt;“Shutter Island”&lt;/strong&gt;, de Dennis Lehane (Gótica)&lt;br /&gt;Um livro que se lê e relê. Porque é excelente e porque o fim nos atira de novo para o princípio, nos obriga a olhar para toda a história com uma visão diferente. Porque o que fica obscuro nos continua a perseguir depois da última página. O autor de “Mystic River”, transportado com grande sucesso para o cinema, continua a surpreender. Em 1954, o polícia Teddy Daniels investiga o misterioso desaparecimento de uma doente de um manicómio, situado numa ilha à qual só há acesso por barcos comerciais. Quem o ler não o vai esquecer por muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Gente do Milénio”&lt;/strong&gt;, de J.G. Ballard (Quetzal)&lt;br /&gt;O futuro segundo um dos nomes fortes da literatura inglesa contemporânea. Ballard aborda dois dos seus temas preferidos: o mito dos media e a crise da sociedade da abundância, com a consequente perda de valores. O ponto de partida é uma explosão no aeroporto de Heathrow, em Londres, Inglaterra. Um psicólogo descobre que a ex-mulher está entre as vítimas e começa a investigar o crime. O ponto de chegada é um grupo que incita à revolução da classe média.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“O Silêncio das Carpideiras”&lt;/strong&gt;, de Miguel Miranda (D. Quixote)&lt;br /&gt;Um excelente livro de Miguel Miranda, o seu quarto romance. O país vive nos tempos da ditadura. Dornelos, uma aldeia do interior, vai ter por perto uma barragem, que a vai deixar submersa. A aldeia assume-se como personagem principal, na luta contra a inundação, contra os reflexos de uma modernidade que nunca desejada. Uma escrita trabalhada, lenta e minuciosa leva-nos na perfeição à vida rural, onde tudo se passa a um ritmo diferente. Um excelente domínio das palavras por parte do autor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Alice deste Lado do Espelho”&lt;/strong&gt;, de Lisa Dierbeck (Teorema)&lt;br /&gt;Uma releitura de “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carrol. &lt;br /&gt;Uma rapariga de 11 anos cresce num corpo de 16, de seios desenvolvidos e pernas longas, que enfeitiça todos os homens que encontra. Vive em Manhattan, nos Estados Unidos, com uma tia, viciada em cocaína, porque a mãe fugiu para Itália e o pai está internado. Alice atravessa uma fase difícil. Na escola, os miúdos chamam-lhe nomes porque é mais alta que os professores. Só em Nova Iorque, que a olha de outra forma, é popular. Não é criança nem adulta. Encolhe e diminui consoante quem a vê. Num curso de Verão, relaciona-se com um traficante e inicia aí a sua viagem a outro mundo. Ao Inferno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Nem Tudo Começa com um Beijo”&lt;/strong&gt;, de Jorge Araújo e Pedro Sousa Pereira (Oficina do Livro)&lt;br /&gt;Um livro para jovens que pisca o olho aos adultos, onde se pode morrer de amor. Fio Maravilha e Nuvem Maria são os nomes bizarros das personagens centrais desta obra de ficção. Mas também há Gelatina e Domingo. E Gelatina tem um segredo, que só Domingo conhece. O mundo (a casa) divide-se em “subterrâneos” (cave) e “prédios com vista sobre a solidão” (sótão) e o caminho entre os dois universos é feito pelos esgotos. Um terramoto torna-os mais próximos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“O Anjo de Bagdade”&lt;/strong&gt;, de Paul-Loup Sulitzer (Europa-América)&lt;br /&gt;Um brilhante homem de negócios espera que os soldados norte-americanos cheguem ao Iraque para estabelecer a democracia. Mas Bagdad nunca mais será a mesma. A cidade fica a saque e sofre com a ocupação estrangeira. Mas Michel Samara não acredita na submissão e idealiza um plano maquiavélico para estragar os planos de George W. Bush. Sulitzer, que junta à escrita a profissão de economista, sentiu-se como peixe na água ao escrever este livro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11601903-111650706959952752?l=luismateus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://luismateus.blogspot.com/2005/05/sugestes-de-leituras-de-20-26-de-maio.html</link><author>noreply@blogger.com (Luís Mateus)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-11601903.post-111650074412599142</guid><pubDate>Thu, 19 May 2005 11:04:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-05-19T12:11:37.653+01:00</atom:updated><title>A vida reflectida por uma gota no pára-brisas</title><description>&lt;IMG SRC="http://usera.imagecave.com/lmateus/os_meus_sentimentos.jpg" align="right"/&gt;Depois de “Campo de Sangue”, Dulce Maria Cardoso editou recentemente “Os Meus Sentimentos”, um excelente livro, também com a chancela da Asa, que se passa nos minutos que demora uma mulher (Violeta) a morrer, após um acidente de automóvel. Quase mórbido, mas ao mesmo tempo bastante distante de o ser. Triste, como as cores (castanho e branco) que fazem a capa. Uma história de vida. O segundo exemplo de que a autora está na linha da frente dos autores portugueses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ilustração de uma vida, presa no reflexo de uma gota de água que permanece em suspenso no pára-brisas, é conseguida pelo regresso lento ao passado, a uma vida infeliz, mas distorcidamente feliz, a relações complicadas (com os pais e com a filha), à conturbada visão de o espelho lhe devolve e a faz procurar o sexo com desconhecidos, e a um tempo de mudança (pouco depois do 25 de Abril de 1974).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dulce Maria Cardoso garantiu em entrevistas que o seu livro não é mórbido, apesar de ter o fim da vida como tema. “Escrevo sobre a morte para celebrar a vida”, disse. E “Os Meus Sentimentos” é isso mesmo: uma dissertação sobre um modo de viver. O pai de Violeta escolhe a mãe para casar, apesar de ter uma relação com outra mulher, da qual nasce um rapaz. A mãe permanece com a cabeça e o estilo de vida amarrados aos tempos que antecederam a Revolução. O rapaz alia-se aos movimentos revolucionários e confronta o pai. Mais tarde, conhece Violeta e do relacionamento nasce uma menina. Violeta e a filha estão cada vez mais afastadas, talvez por culpa da progenitora, cujo estilo de vida não é o mais exemplar. Gorda, muito gorda, procura sexo ocasional em estações de serviço e em outros locais. A morte surge na estrada, mas o coração parece continuar a bater indefinidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os Meus Sentimentos” é um excelente livro, muito bem escrito. Trabalhado até à exaustão. Talvez por isso, em alguns momentos, faça lembrar António Lobo Antunes. Tão cheio de emoções que, no fim, bate-nos com a força de uma maré enorme de tristeza. Pela vida. Pela mulher que tem o “nome de uma flor que também é uma cor”. Violeta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11601903-111650074412599142?l=luismateus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://luismateus.blogspot.com/2005/05/vida-reflectida-por-uma-gota-no-pra.html</link><author>noreply@blogger.com (Luís Mateus)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-11601903.post-111649946547941740</guid><pubDate>Sat, 14 May 2005 10:43:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-05-19T11:44:25.480+01:00</atom:updated><title>Sugestões de leituras (de 14 a 19 de Maio)</title><description>&lt;strong&gt;“A Voz Secreta das Mulheres Afegãs – O Suicídio e o Canto”&lt;/strong&gt;, de Sayd Bahodine Majrouh (Cavalo de Ferro)&lt;br /&gt;“Em segredo ardo, em segredo choro/Sou a mulher pashtun que não pode revelar o seu amor”. Este “landay” – termo que pode ser traduzido para “breve” – simboliza o que é este livro de poemas tradicionais das mulheres do Afeganistão, uma obra contra a repressão, seja esta do poder instituído ou em casa, pelo “horrível pirralho”, o marido. O autor fez a importante recolha antes de ser assassinado no Paquistão, país que escolheu para o exílio. A poetisa Ana Hatherly é a responsável pela tradução, a partir do francês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Um Pintor na Corte”&lt;/strong&gt;, de Sonia Overall (Civilização)&lt;br /&gt;Novela de estreia da escritora inglesa, que nos transporta até ao tempo de Isabel I. Um jovem pintor talentoso acredita que pode fazer parte da corte e tornar-se um dos mais bem sucedidos artistas da sua era. Mas depressa percebe que entrar no meio não é fácil e só com a cumplicidade da bela Kat o consegue. A relação entre os dois torna-se cada vez mais íntima a partir do momento em que Robin Thomas passa a ter os favores da nobreza. “Um Pintor na Corte” é um livro colorido, ou seja: as imagens que nos traz são nítidas, vívidas e belas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“O Cão na Casa Verde”&lt;/strong&gt;, de Isabel Millet (Caixotim)&lt;br /&gt;A pintora Paula Rego foi uma das leitoras privilegiadas (e mais entusiasmadas) do romance de Isabel Millet e é sua a ilustração da capa. O livro é inspirado nas memórias de infância da autora, passadas na casa de Guilhermina Suggia. Que era verde. A discípula da célebre violoncelista criou um novo mundo em cima da saudade dos tempos passados na Rua da Alegria, nº 665.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Mãe e Filha”&lt;/strong&gt;, de Marianne Fredriksson (Presença)&lt;br /&gt;Katarina é uma jovem arquitecta independente que, quando conta ao companheiro – um americano de passagem na Suécia – que está grávida, não consegue evitar que este a deixe inconsciente e seja obrigada a recuperar numa cama de hospital. Vê-se impelida a pedir ajuda à mãe Elisabeth, ao irmão Olof e à bela irmã Erika. E descobre que o pai também batia na mãe, o que as torna mais próximas e a ajuda a esquecer o passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“O Reino Encantado”&lt;/strong&gt;, de Mário Ventura (Casa das Letras)&lt;br /&gt;Um escritor procura inspiração para um novo livro na investigação de uma história verídica: o mito sebastianista regressara no Brasil em 1838. Um grupo de fanáticos decide suicidar-se para fazer com que o corpo encantado do rei português, que, acreditam, está sepultado algures em Pernambuco, regresse à vida. Uma dádiva de sangue para que o nevoeiro que envolve o monarca o traga de volta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11601903-111649946547941740?l=luismateus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://luismateus.blogspot.com/2005/05/sugestes-de-leituras-de-14-19-de-maio.html</link><author>noreply@blogger.com (Luís Mateus)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-11601903.post-111649989784500904</guid><pubDate>Thu, 12 May 2005 10:50:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-05-19T12:03:14.943+01:00</atom:updated><title>O amor nos tempos de guerra</title><description>&lt;img src="http://usera.imagecave.com/lmateus/encontro_em_jerusalem.jpg" align="right"/&gt;O amor, outra vez. O encontro, a paixão, a separação, a sensação corrosiva de vazio, o reencontro. Quase um ano depois de “Romance em Amesterdão”, Tiago Rebelo edita o seu sexto trabalho de ficção. “Encontro em Jerusalém” é, muito provavelmente, o melhor livro do autor, que a editora (Presença) classifica como o Nicholas Sparks português, comparando os números das vendas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os best sellers são muito raramente amados pela crítica. “Encontro em Jerusalém” não deverá alterar a ideia já formada sobre Tiago Rebelo: pouco literário, de escrita fácil e populista, com o amor sempre como ponto de partida e chegada dos seus livros. Mas a nova obra é mais do que uma viagem por um romance entre duas pessoas. A complexidade sangrenta da guerra, vista de um lado neutral por quem apenas relata, a dor do aborto como potenciadora da destruição de um casamento e a vida diária de quem arrisca a vida por uma história a contar alargam os horizontes deste livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afonso e Francisca são dois jornalistas, dois repórteres de guerra, que se encontram em Jerusalém (daí o título). Os dois testemunham a violência e a tensão crescente entre israelitas e palestinianos, mas são expulsos do país porque uma fotografia faz capa em Portugal. Apaixonam-se e viajam juntos para Sarajevo, onde fogem aos disparos dos franco-atiradores, testemunhando o horror de uma guerra que não poupa ninguém, nem mulheres e crianças. O regresso a Jerusalém acontece mais tarde, já com Francisca grávida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tiago Rebelo transforma uma praça de Jerusalém no cenário principal do romance. A linguagem, quase cinematográfica, tem aqui o seu ponto alto. Francisca espera por Afonso numa esplanada e não sabe que, poucos metros à sua frente, uma mulher-bomba pensa no que está para acontecer. A polícia, alertada, descobre-a, mas uma bala menos feliz provoca a explosão. Francisca – que já pegara na máquina e começara a fotografar febrilmente - cai para trás. Depois descobre que perdeu o bebé, mais tarde é-lhe dito que não pode mais ter filhos. É o princípio do fim da sua relação com Afonso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Encontro em Jerusalém” lê-se num ou dois dias. Um trabalho mais atento de revisão e edição poderia ter resolvido alguns dos seus problemas. Mas Tiago Rebelo parece estar no bom caminho, este livro é melhor que o último. Se o próximo for melhor que este...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11601903-111649989784500904?l=luismateus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://luismateus.blogspot.com/2005/05/o-amor-nos-tempos-de-guerra.html</link><author>noreply@blogger.com (Luís Mateus)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-11601903.post-111649937928559583</guid><pubDate>Sat, 07 May 2005 10:41:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-05-19T11:44:45.486+01:00</atom:updated><title>Sugestões de leituras (de 7 a 13 de Maio)</title><description>&lt;strong&gt;“Russendisko”&lt;/strong&gt;, de Wladimir Kaminer (Cavalo de Ferro)&lt;br /&gt;O nome deriva de uma famosa discoteca de Berlim, montada pelo autor, um imigrante russo, e por um amigo. Kaminer apresenta-nos 50 pequenas histórias em 121 páginas, a partir das experiências vividas na Alemanha, a partir de 1990, por si e pela sua família. Narrador e autor são, portanto, a mesma pessoa. Foi escrito em alemão em 2000, apenas dez anos depois de Kaminer ter começado a aprender a língua. Teve sucesso estrondoso no mercado germânico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Inverno Mágico”&lt;/strong&gt;, de António Pinelo Tiza (Ésquilo)&lt;br /&gt;Com o pós-título “Ritos e Mistérios Transmontanos”, o documento é um contributo importante para o registo das manifestações populares no Nordeste português. Como o livro é uma das boas formas de perpetuar o que pode estar em risco de extinção, o autor, profundo conhecedor dos costumes e práticas da região, dedicou muitos anos da sua vida ao estudo minucioso do folclore de Trás-os-Montes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Este Lado para Cima”&lt;/strong&gt;, de Holly Fox (Temas e Debates)&lt;br /&gt;Uma comédia escrita por Elizabeth McGregor sob o pseudónimo de Holly Fox. Quatro mulheres, de mundos diferentes – uma executiva de uma cadeia de televisão e escritora sem sucesso, uma jornalista, uma dona de um refúgio de aves e uma aristocrata falida – encontram-se por acidente para causar o casos nas vidas de cada uma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Ensina-me a Namorar”&lt;/strong&gt;, de António Garcia Barreto (Campo das Letras)&lt;br /&gt;Um romance em 29 e-mails. Original, com uma linguagem experimentada, bem escrito. “Ensina-me a Namorar” é o terceiro romance do premiado António Garcia Barreto, que tem dedicado grande parte da carreira literária à literatura infantil. Lê-se num ápice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Reencontro com o Passado”&lt;/strong&gt;, de Patricia Tyrrell (Civilização) &lt;br /&gt;Editado inicialmente com o título “Bones in the Womb” (Ossos no Útero) e com um número de cópias reduzido, “Reencontro com o Passado” chegou há pouco tempo a Portugal. Uma rapariga de três anos é raptada por um sem-abrigo alcoólico, que, doze anos depois, a tenta devolver aos pais por não suportar viver em consciência com um crime cometido por ela. Mãe e filha vão ter de aprender a conhecer-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“O Osso Côncavo e Outros Poemas”&lt;/strong&gt;, de Luís Carlos Patraquim (Caminho)&lt;br /&gt;“Há nos teus olhos/a tristeza dum rosto/alagado de demora/um silêncio d’amoras/e a cor nos lábios/por florir//há um rio de ir/sangue/tragicomer de riso/o mangue”. O moçambicano Luís Carlos Patraquim lançou a sua antologia poética, com algumas raridades. Um livro indispensável para os amantes do género, ainda recheado com o exotismo do português de África.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11601903-111649937928559583?l=luismateus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://luismateus.blogspot.com/2005/05/sugestes-de-leituras-de-7-13-de-maio.html</link><author>noreply@blogger.com (Luís Mateus)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-11601903.post-111514537654133466</guid><pubDate>Tue, 03 May 2005 18:34:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-05-03T20:39:47.573+01:00</atom:updated><title>É possível ser mais forte que o mar</title><description>&lt;img src="http://usera.imagecave.com/lmateus/o_velho_e_o_mar.jpg" align="right"/&gt;Um peixe, a solidão do mar, uma doença mortal. A luta pela sobrevivência. O velho Santiago lança-se ao alto mar, em redor de Havana, Cuba, para provar aos mais jovens que, depois de 84 dias sem pescar qualquer peixe, ainda tem o instinto e a perícia necessários para não voltar com a proa vazia. Com uma nova isca, feita por um jovem amigo, o aprendiz e antigo companheiro de pesca Manolín, prepara-se para capturar um peixe-recorde, com mais de cinco metros de comprimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luta entre Santiago – que durante este tempo se alimenta do que consegue apanhar – e o peixe testa os limites de resistência de ambos. Mas, finalmente, o velho pescador é bem sucedido. Amarra o espécime ao barco e viaja para terra. Santiago está disposto a mostrar a todos que ainda está vivo, que ainda consegue ser bom na sua profissão. “A vela fora remendada em vários pontos com velhos sacos de farinha e, assim enrolada, parecia a bandeira de uma derrota permanente”, começa Hemingway o seu relato poético, em jeito de profecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pescador, cansado e esfomeado, ainda não ganhou a guerra. Mais pesada e depois de arrastada para uma rota desconhecida, a embarcação está mais lenta na viagem de regresso. Atraídos pelo sangue da conquista de Santiago, os tubarões atacam à vez, transformando o peixe em esqueleto. O velho vai ganhando batalhas, mas sabe que a derrota é iminente. Porque o sangue atrai mais e mais tubarões vorazes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esgotado, Santiago chega à praia de onde partiu. Quebrado por dentro, depois de cuspir um líquido estranho. Vai para o pobre casebre onde vive, derrotado. Com o amanhecer, outros pescadores vêem o barco atracado, com o esqueleto do peixe amarrado num dos lados. O comprimento do peixe traz ao velho a admiração de todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O Velho e o Mar”, publicado em 1952, garantiu a Ernest Hemingway o prémio Pulitzer. Dois anos mais tarde, o escritor norte-americano recebeu o Nobel da Literatura. Grande clássico da ficção contemporânea, é um dos livros que nos fica para sempre. Que nunca esquecemos. Uma obra perfeita em todos os seus momentos. Que podemos interpretar de maneira diferente. Talvez por isso, foi agora reeditado pela Livros do Brasil. Em boa hora, para quem nunca o leu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11601903-111514537654133466?l=luismateus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://luismateus.blogspot.com/2005/05/possvel-ser-mais-forte-que-o-mar.html</link><author>noreply@blogger.com (Luís Mateus)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-11601903.post-111505295978576781</guid><pubDate>Mon, 02 May 2005 16:53:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-05-03T18:22:00.463+01:00</atom:updated><title>Sugestões de leituras (de 30 de Abril a 6 de Maio)</title><description>&lt;strong&gt;“O Atentado”, de Henry Porter (Ulisseia)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Um livro de espionagem e terrorismo, recheado de “twists”, que proporciona uma leitura entusiasmada e vertiginosa. O conselheiro do presidente dos Estados Unidos para a segurança desembarca em Heathrow, Londres, para uma reunião de emergência com o primeiro-ministro britânico. Pouco depois, numa perseguição automobilística, é atingido por um tiro e morre. “O Atentado” é a demonstração dos conhecimentos de Henry Porter sobre o mundo da espionagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“A Imperatriz Orquídea”, de Anchee Min (Teorema)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Dinastia Ch’ing, no século XIX. A vida de Dowager Tsu His, a imperatriz Orquídea, uma mulher que chega à “Cidade Proibida”, o palácio imperial da China, para ser concubina ou esposa do imperador e acaba por se tornar o rosto do poder durante mais de quatro décadas. A única das sete companheiras do imperador a gerar descendência, torna-se regente depois da sua morte. Um livro que transforma a aura de uma das personagens-demónio da história chinesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Malina”, de Ingeborg Bachmann (Edições 70)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Lindíssimo em estilo, talvez algo vazio em conteúdo, mas imprescindível. A narradora, “Eu”, vive com um homem, de sobrenome Malina, e envolve-se com outro, Ivan. O célebre triângulo amoroso. Um livro autobiográfico, o único publicado em vida pela alemã e primeiro de uma série deixada incompleta. Escrito precisamente quando se gritava pela afirmação feminina, “Malina” é um relato do que podem os homens fazer às mulheres. Obra-prima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“O Jardim de Cimento”, de Ian McEwan (Gradiva)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O livro que deu razão ao filme, com o mesmo nome, de Andrew Birkin, argumentista de “O Nome da Rosa”. Uma prosa calma, precisa e sensual, por vezes mórbida, de um best-seller inglês. Publicado originalmente em 1978, quatro crianças enterram a mãe falecida na cave da própria casa. Órfãs, tentam sobreviver apenas com a ajuda uma das outras, num mundo por vezes claustrofóbico. Uma obra perturbante, mas nunca irreal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Geometria Variável”, de Nuno Júdice (D. Quixote)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;“Leio o amor no livro/da tua pele, demoro-me em cada/sílaba, no sulco macio/das vogais, num breve obstáculo/de consoantes, em que os meus dedos/penetram, até chegarem/ao fundo dos sentidos”. Uma poesia heterogénea, variável, transportada para livro. A homogeneidade alinhada pelo que tem de melhor dar-lhe-ia o estatuto de livro brilhante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11601903-111505295978576781?l=luismateus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://luismateus.blogspot.com/2005/05/sugestes-de-leituras-de-30-de-abril-6.html</link><author>noreply@blogger.com (Luís Mateus)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-11601903.post-111417778743781775</guid><pubDate>Fri, 22 Apr 2005 13:48:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-04-22T14:49:47.440+01:00</atom:updated><title>Romana Petri (entrevista, II): "Saramago mudou a minha visão do amor"</title><description>&lt;strong&gt;- “A Senhora dos Açores” passa-se no Pico e tem outro romance com a ilha das Flores como cenário, “Um baleeiro dos montes” [editado pela Salamandra em Portugal]. Em “Uma Guerra na Úmbria” há uma passagem em que Alcina ouve de um companheiro de armas a letra do fado “Perseguição”. A ligação com Portugal parece muito forte. Vai voltar a escrever sobre este país?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;- Nesta altura, estou já a escrever uma continuação de “A Senhora dos Açores”. Isto porque, na Feira do Livro, uma miúda veio ter comigo e apresentou-se como a sobrinha de João Freitas, personagem principal e que existe mesmo. Disse-me: “O meu tio casou-se”. No primeiro livro, há um conflito entre a turista e o João Freitas, que luta também com o fantasma da mulher falecida. Fiquei muito desiludida com o que me disse a rapariga. Estive no Faial e quis ir de barco para o Pico, mas não consegui por questões de agenda. No livro, imagino-me a ir ao Pico para discutir com ele. Num dia inteiro, consigo convencê-lo de que ele fez mal em casar-se outra vez, mas ele também me convence que fez bem... Estava a pensar em chamá-lo “Açores assim” ou “Ainda nos Açores”, mas ainda não sei. Vou editá-lo só aqui, em Portugal.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Sente-se mais portuguesa que italiana?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;- Gosto mais de estar aqui do que no meu país. Gosto muito de Itália, mas somos sempre mais críticos em relação ao país onde nascemos. Aqui há mais tranquilidade, menos violência, mais paciência. Aqui há uma depressão saudável. Gosto muito do silêncio. Portugal tem qualidades do Sul e do Norte da Europa: as pessoas são de temperamento mediterrânico, mas com uma discrição do Norte. Em Itália, é impossível unir as duas coisas.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- O que faz com que não pegue nas malas e venha de vez para cá?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;- O trabalho, o meu filho. Mas passo muito tempo em Portugal, até porque estou a publicar agora apenas na língua portuguesa, para aqui, para o Brasil e para África.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Algum escritor português a inspirou em algum dos seus livros?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;- Não sei quantificar as influências. Mas gosto imenso de José Saramago. O “Memorial do Convento” influenciou muito a minha visão do amor. Também gosto de António Lobo Antunes, mas é muito cerebral, denso. Acho que é sempre muito parecido, além de escrever demais. E depois há os clássicos: Camilo, Eça, Camões. Adorava a Sophia de Mello Breyner Andresen. “A minha alma é feita de maresia”. É um verso dela.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Nos seus livros, as personagens têm muita força, as descrições tornam-nas quase reais. Mas, ao mesmo tempo, há sempre algo de transcendental, de mágico, de fantasia. É difícil conseguir este equilíbrio?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;- Eu própria sou assim. Muito materialista e, ao mesmo tempo, fantasiosa. Isso reflecte-se nos meus livros. Há sempre esta mistura. Uma interacção entre vivos e mortos.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Acredita fazer parte de alguma corrente literária?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;- Acho que sim, apesar de não dever ser eu a dizê-lo. O realismo mágico não surgiu na América do Sul, sempre existiu na literatura. Formei-me a ler romances de cavalaria sobre a Idade Média. O meu livro preferido é o “D. Quixote” de Cervantes. Mais uma vez, há essa mistura entre o fantástico e o real. A realidade parece-me sempre um pouco pobre e, por isso, junto-lhe alguma imaginação. Para mim, a escrita é como atravessar um rio. Moro deste lado, mas, de vez em quando, preciso passar para a outra margem para ver as coisas com outra perspectiva.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Em todos os seus romances conta o mal dos outros. Para quando um livro autobiográfico?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;- Escrever sobre os outros é ser altruísta, mais generosa. Os escritores mais biográficos que autobiográficos escrevem mais. De resto, há sempre algo de nós em todos os livros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(by Luís Mateus)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11601903-111417778743781775?l=luismateus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://luismateus.blogspot.com/2005/04/romana-petri-entrevista-ii-saramago.html</link><author>noreply@blogger.com (Luís Mateus)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-11601903.post-111417760095411024</guid><pubDate>Fri, 22 Apr 2005 13:42:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-04-22T14:46:40.956+01:00</atom:updated><title>Romana Petri (entrevista): "Quis consolar os filhos e punir os pais"</title><description>&lt;img src="http://usera.imagecave.com/lmateus/romana_petri.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um dos nomes do momento da literatura italiana. Romana Petri edita o seu quarto livro em Portugal, escrito em 1999, “para consolar os filhos e punir os pais violentos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Como nasceu “Os Pais dos Outros”, as personagens, as histórias?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;- Escrevi este livro em 1999. Sou uma escritora biográfica, mas também autobiográfica, porque há sempre um pouco de mim nos meus livros. Mas estou mais interessada nas histórias dos outros. Estas são histórias que conheci na minha vida. Histórias de alunos meus, inclusive. O pai de Giovanni, por exemplo... Junta-se sempre ficção quando se escreve, mas Giovanni foi um aluno meu, que vivia em permanente conflito com o pai. Tornou-se homossexual para lhe fazer a desfeita. Depois voltou à sua natureza, ser heterossexual. Um livro não se sabe como acontece. Começou com um conto, depois achei que devia continuar, como uma espécie de vingança contra a injustiça: uma consolação para os filhos, uma punição para os pais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Revoltou-se enquanto escrevia?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;- Sim, um pouco. É um livro muito forte, cruel, de grande violência, em que me coloco do lado dos filhos. É que sou filha e mãe ao mesmo tempo. Os pais são fundamentais na educação dos filhos. Somos 50 por cento o que nossos pais fazem de nós. Isto gera uma grande revolta. Nos casos de Mário e Sandro conto como eles chegaram à vingança. A violência gera violência. Os filhos dominam os pais. A violência pode transformar o dominador em dominado. A psicologia moderna diz que os pais violentos geram filhos violentos. Este livro também é pouco a história da Itália da II Guerra Mundial até aos nossos dias. Houve uma mutação na paternidade. Após a guerra, o meu país era muito campestre, muito conservador. No último conto, que teve uma tradução difícil, tento mostrar essa transição. O pai de Nicola castiga o filho enquanto diz palavras em latim. Nicola torna-se pai. Há uma grande mudança. Ele percebe que não tem de bater para ensinar, apesar de manter as mesmas frases em latim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Sentiu alguma vez vontade de parar de escrever?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;- Não. Fiz uma pausa ao escrever uma história boa. Não acho que todos os pais sejam maus. São uma minoria, mas isso não torna a situação menos grave. Este livro é também uma denúncia, uma acusação aos pais e também às mães que ficam caladas. Neste livro, são como sombras. As mulheres têm de se revoltar. Não podem ser cúmplices.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Confúcio dizia que todos os homens nascem bons, Rousseau acrescentou que a sociedade é que os corrompe; acredita que todos os pais nascem bons?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;- Sou mais da opinião de Diderot. Os homens nascem com virtudes e defeitos. No meu livro “Esecuzioni” [Execução], que vou editar em Portugal provavelmente no próximo ano, uso uma frase dele: “Os homens maus não têm de ser punidos, têm de ser eliminados”. Depois, o lugar e a família influenciam muito. Há irmãos que são completamente diferentes. Há ainda o ADN, que tem uma grande importância naquilo que somos. O que é verdade é que pais cruéis podem gerar pais cruéis. Este livro avisa que a violência pode gerar violência. Também tem alguma psicologia: as crianças são seres humanos muito fracos, temos de formá-los e não de os destruir. É inacreditável que a maior parte da violência da nossa vida exista na própria família. É importante termos uma raiz forte, que nos permita sobreviver. Nos meus livros, nunca falo de casais separados. Não é preciso que haja divórcios para que exista violência. Prefiro uma família separada feliz, do que uma junta infeliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Disse uma vez, numa entrevista, que “o literário é perpétuo, a realidade dissolve tudo”. Foi por isso que escreveu este livro, para que o aviso seja perpétuo?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;- A vida e a literatura são muito diferentes. Viver de uma forma literária é ridículo. Mesmo um escritor muito inteligente, se viver dessa forma perde a inteligência. A verdade é que o livro fica e a realidade passa. A literatura serve para fazer passar uma mensagem. Mas detesto todos aqueles que se acham Dostoievski. É preciso que haja humildade. Eu gosto do que faço, não tenho como ambição deixar um traço importante na história. Tenho uma visão muito lúdica da escrita, apesar de ser calvinista e moralista. Gosto de maridos fiéis, separar o bem do mal... Neste mundo que está a perder a moral, não faz mal que seja assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Que reacções tiveram Avelina, Giovanni, Gualtiero, Gaetano, por exemplo, quando os reencontrou após ter publicado o livro?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;- Não os encontrei a todos. Há histórias de há muito tempo. Nunca consegui escrever nada no presente. Pode ser que algum deles tenha lido o livro. Mas há sempre duas opiniões: ou se gosta ou se detesta. Os pais devem ter ficado chateados, os filhos mais contentes. Se alguém se reconhece no que está escrito no livro, a culpa não é minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- “Os Pais dos Outros” já venceu alguns prémios em Itália. O que seria para si o sucesso em Portugal?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;- Não sei. Todos os livros impressos estão nas livrarias. Isso é bom sinal. O livro também é muito forte no aspecto psicológico. A maioria já teve problemas com os pais. O primeiro conto, que é quase um prefácio, é sobre o meu pai e ele era um bom pai, no sentido de que gostava muito de mim. Mas todos têm algum tipo de problema.&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;Versão uncut da entrevista publicada hoje no jornal Metro&lt;/em&gt;, by Luís Mateus)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11601903-111417760095411024?l=luismateus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://luismateus.blogspot.com/2005/04/romana-petri-entrevista-quis-consolar.html</link><author>noreply@blogger.com (Luís Mateus)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-11601903.post-111349110970333516</guid><pubDate>Thu, 14 Apr 2005 15:03:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-04-14T16:05:09.706+01:00</atom:updated><title>Sugestões de leituras (de 15 a 22 Abril)</title><description>&lt;strong&gt;“Melodia ao Anoitecer”, de Siddharth Dhanvant Shanghvi (Civilização)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O livro que estabeleceu comparações entre o autor e os consagrados Salman Rushdie e Arundhati Roy. “Melodia ao Anoitecer” é um livro que se vê mais do que se lê, dedicado a manter vivas as tradições de uma Índia desconhecida para o povo europeu. Excelente escrita e passagens quase poéticas. O regresso em força do realismo mágico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“As Deusas em cada Mulher”, de Jean Shinoda Bolen (Planeta)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Um livro para todas as mulheres, dirigido sobretudo àquelas que se sentem na terceira fase da vida. Em 263 páginas, Bolen explica por que essas devem dar um passo em frente e assumir a sua responsabilidade perante o mundo, oferecendo tudo o que absorveram ao longo da vida. Para isso, a escritora conta a história de deusas e fala de arquétipos – modelos endógenos de conduta, segundo o psicólogo suíço Jung. O fim: “uma mulher viçosa e sumarenta”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Os Filhos”, de Dan Franck (Asa)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Jeanne e Pierre. Divorciados. Pais. Haverá, na vida, uma segunda oportunidade? Dan Franck está preparado para provar que sim, depois de em 1991 ter ganho o Prémio Renaudot com “A Separação”. Uma nova família, com antecedentes difíceis, quatro crianças e dois solteirões felizes que encontram finalmente no outro o amor correspondido, procura resistir aos conflitos do dia-a-dia. No livro inspirou-se Christian Vincent para um filme com o mesmo nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Estação Carandiru”, de Drauzio Varella (Palavra)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Best-seller no Brasil, venceu inúmeros prémios: melhor reportagem, melhor livro de não-ficção e melhor livro. Acabou por inspirar um filme que, curiosamente, antecipou a obra de Drauzio Varella em Portugal. O autor relata o trabalho voluntário de prevenção à SIDA que realizou como médico na Casa de Detenção de S. Paulo, a maior prisão brasileira, no bairro de Carandiru. Uma experiência pessoal intensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Jorge Palma – Na Terra dos Sonhos”, organizado por João Carlos Callixto (Quasi)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;De 1971 até ontem. Do primeiro vinil pela banda Sindicatos até estar a solo no palco. Único na voz e nas palavras. É o primeiro livro que reúne tudo o que foi escrito pelo cantor que melhor sobreviveu ao fim do protesto político. Crítico desde sempre, um livro em que se folheia Jorge Palma: “Deixa a música ser/Deixa a música sair/Deixa a música continuar/Deixa a música levar-te onde o teu coração quer chegar.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“O Segredo de Mona Lisa”, de Dolores García (Europa-América)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Francesco Melzi, discípulo de Leonardo da Vinci, assiste às últimas horas de vida do mestre, ainda e sempre obcecado com um quadro: “La Gioconda”. O génio conta então, por Melzi que o narra e por Dolores García que o escreve, a sua relação com a mulher que retratará no quadro hoje em exposição no Museu do Louvre, em Paris. Lisa Gherardini, a sua... Lisa. Um romance, de estreia, muito interessante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11601903-111349110970333516?l=luismateus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://luismateus.blogspot.com/2005/04/sugestes-de-leituras-de-15-22-abril.html</link><author>noreply@blogger.com (Luís Mateus)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-11601903.post-111289916131530014</guid><pubDate>Thu, 07 Apr 2005 18:38:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-04-07T19:42:17.993+01:00</atom:updated><title>Sugestões de leituras (de 7 a 14 de Abril)</title><description>&lt;strong&gt;“Don Giovanni ou O Dissoluto Absolvido”, de José Saramago (Caminho)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É o regresso do Nobel ao teatro. A história de Don Giovanni, personagem principal da conhecida ópera de Mozart com o mesmo nome, é contada por José Saramago à sua maneira: o sedutor de 2065 mulheres passa a ser o eterno seduzido, segundo a pena do autor de “O Memorial do Convento” e “Evangelho Segundo Jesus Cristo”. Este livro é o resultado do apelo do compositor Azio Corghi para que, juntos, escrevessem um libreto para uma ópera a ser apresentada no Scala de Milão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Gulag – Uma História”, de Anne Applebaum (Civilização)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Prémio Pulitzer 2004 para a não-ficção. Só isso diz quase tudo. Gulag é um retrato do que foram os antigos campos de concentração soviéticos durante o tempo de Estaline. Os primeiros e últimos capítulos concentram-se na lição que ocidente e oriente devem retirar do que foi o sistema prisional na URSS. No miolo, surge uma série de relatos de heróicos sobreviventes. Os gulag eram um mundo em si mesmo: havia amor, traição, nascimentos, crime e amizade. Uns eram culpados, outros não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“De Amor”, de Danièle Sallenave (Gradiva)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;“Contar isto absorve todo o meu tempo, todas as minhas forças, transborda dos meus sonhos. Carrego comigo um estimável património de mortos, é preciso dizê-lo. E quem se lembra deles? Eu.” Duas pessoas amadas pela mesma mulher suicidam-se. A tia debaixo de um comboio, o antigo amante, que nunca gostou do que via ao espelho, à fome. Um livro autobiográfico sobre os traumas da guerra e da separação amorosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“O Atlas Furtivo”, de Alfred Bosch (Livros do Brasil)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Um thriller histórico. O pai de Jafudá, personagem principal, é encarregado pelo rei de Aragão de elaborar um mapa-mundo, o mais preciso e belo até então (século XIV). Ao mesmo tempo, o velho Cresques de Abraão decide elaborar outro. É nesse momento que Jafudá é envolvido num onda de acontecimentos imprevisíveis. Prémio Santi Jordi em 1997, “O Atlas Furtivo” é um livro de leitura fácil e entusiasmante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“A Paixão de Maria Madalena (segundo volume)”, de Margaret George (Saída de Emergência)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A segunda parte da história d’ “A mulher que amou Jesus”, que relata a história de Maria Madalena como discípula de Cristo. George evoca com grande autenticidade as cores, os sons e as multidões da antiga Judeia. A autora aceitou o desafio enorme de escrever uma biografia ficcional sobre alguém de quem se sabe pouco. O resultado é um bom livro (no original, os dois volumes estão reunidos num único), apesar de esta segunda parte parecer um pouco menos atraente que a primeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“As Paisagens Propícias”, de Ruy Duarte de Carvalho (Cotovia)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O antropólogo angolano conta neste livro a história de um homem, Paulino, a quem foi pedido que encontrasse outro no meio do deserto. O motivo: uns papéis preciosos concentrados no interior de uma mala. Uma vez cumprida a missão, a Paulino é reenviado pelo mesmo homem de encontro ao mandatário da expedição com o objectivo de o trazer perante ele. É a terceira obra de ficção de Ruy Duarte de Carvalho, depois de “Como se o Mundo não Tivesse Leste” e os “Papéis do Inglês”.&lt;br /&gt;(by &lt;strong&gt;Luís Mateus&lt;/strong&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11601903-111289916131530014?l=luismateus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://luismateus.blogspot.com/2005/04/sugestes-de-leituras-de-7-14-de-abril.html</link><author>noreply@blogger.com (Luís Mateus)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-11601903.post-111282339964409970</guid><pubDate>Wed, 06 Apr 2005 21:33:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-05-03T20:42:39.610+01:00</atom:updated><title>O jardim da Europa do futuro</title><description>&lt;img src="http://usera.imagecave.com/lmateus/jardim_das_delicias.jpg" align="right"/&gt; O autor de “A Voz dos Deuses” e “A Encomendação das Almas” edita agora “O Jardim das Delícias”. João Aguiar mostra mais uma vez uma versatilidade que não está ao alcance de todos os escritores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do registo histórico – do já referido “A Voz dos Deuses”, de “A Hora de Sertório” e “Inês de Portugal” -, passando pelo fantástico na obra de contos de “O Canto dos Fantasmas” e pela literatura mais apropriada a um público juvenil, da qual “O Sétimo Herói” é um bom exemplo, o antigo jornalista explora agora um quadro futurista. Uma Federação Europeia, “filha da União Europeia e neta da CEE”, pretende acabar com os traços mais nítidos do nacionalismo, em nome de algo a que chama “Coesão”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Carlos é o protagonista. Num mundo em que os carros andam com piloto automático, um jornalista da mais credenciada publicação portuguesa vê-se com uma bomba-relógio prestes a rebentar nas mãos. De um lado, os integristas querem fazer regressar o país aos seus traços únicos. Do outro, os federalistas esperam silenciosamente o momento certo para erradicar o movimento. O caos parece próximo, à medida que o repórter vai descobrindo, e divulgando, o que realmente se passa. A realidade torna-se, num ápice, um mundo paralelo, quase inexistente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um exercício sobre o futuro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;“O Jardim das Delícias” é, ao mesmo tempo que reclama o estatuto de romance, um exercício mental sobre o que pode reservar o futuro a todos os cidadãos europeus. O final pode não ser o mais risonho, mas não deixa de ser um dos vários caminhos possíveis. Um caminho que assusta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Aguiar é um contador de histórias. Sabe-se, sente-se que adora contá-las. As palavras flúem naturalmente, agarram-se à leitura. E, resultado: as páginas devoram-se. Mas o autor parece ter parado na altura em que o seu romance estava perto de se tornar um “thriller”, tão na moda nos últimos tempos. E se há algo de que não possa ser acusado é de ser um dos nomes da moda. Nunca o foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro sabe a pouco. Como se lhe tivessem arrancado metade, depois de apenas nos ter introduzido na trama. Esse pecado, que até pode ter sido propositado, retira-lhe alguns elogios. O escritor até talvez já o sinta e prepare um livro de continuação. Os leitores mais fiéis merecem-no.&lt;br /&gt;(by &lt;strong&gt;Luís Mateus&lt;/strong&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11601903-111282339964409970?l=luismateus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://luismateus.blogspot.com/2005/04/o-jardim-da-europa-do-futuro.html</link><author>noreply@blogger.com (Luís Mateus)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-11601903.post-111280979892609051</guid><pubDate>Wed, 06 Apr 2005 17:48:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-04-06T19:05:18.466+01:00</atom:updated><title>Um mistério decifrado cedo de mais</title><description>&lt;img src="http://usera.imagecave.com/lmateus/nicole.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anna (Nicole Kidman) fica viúva. Uma criança (Cameron Bright) surge na sua vida, quando se prepara para casar com Joseph (Danny Huston). O miúdo aparece com a convicção férrea de que é Sean (o marido) reencarnado. Ela não acredita, claro, quem o faria? Mas a sucessão de acontecimentos fá-la tremer, vacilar, colocar em causa tudo em que acreditava até aí. Apesar de a matriarca Eleanor (Lauren Bacall) e a irmã Laura (Alison Elliott) a tentarem amarrar à terra e à realidade, Anna está disposta a tudo para dar continuidade ao amor interrompido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Birth – o Mistério”, realizado por Jonathan Glazer, é um daqueles filmes que nos deixa no vazio. Porque ficamos no impasse entre o aplauso e o assobio. Glazer faz de tudo para intensificar o drama. Cada “take” foi feito com esse objectivo: aumentar a intensidade, com o tempo usado, com as cores ou as expressões dos actores. Depois, há Nicole Kidman e Lauren Bacall, que já provaram inúmeras vezes o talento…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que corre mal? Torna-se previsível, talvez. Sobretudo quando o jovem Sean persegue Clara (Anne Heche) no meio de um bosque e a vê a enterrar algo. O “twist” perde-se, claro. A reacção ao mesmo, no argumento, é banal. Por isso, ficamos nesse impasse: saímos da sala com a sensação de que podíamos ter ido ver o Million Dollar Baby, nem que fosse pela segunda vez.&lt;br /&gt;(by &lt;strong&gt;Luís Mateus&lt;/strong&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11601903-111280979892609051?l=luismateus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://luismateus.blogspot.com/2005/04/um-mistrio-decifrado-cedo-de-mais.html</link><author>noreply@blogger.com (Luís Mateus)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-11601903.post-111272796163999858</guid><pubDate>Tue, 05 Apr 2005 19:04:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-05-03T20:43:40.680+01:00</atom:updated><title>Nem carne nem peixe no meio do oceano</title><description>&lt;img src="http://usera.imagecave.com/lmateus/transatlantico.jpg" align="right"/&gt;Um homem nasce numa viagem aérea entre Portugal e Brasil. Fica luso-brasileiro, nem carne nem peixe, para sempre. Vive entre os dois países, por desejo dos pais, fala com perfeição os dois sotaques e os muitos termos diferentes da mesma língua, mas não consegue criar raízes. Nunca ganha a sua identidade. Anos depois, após ter saboreado apenas um trago da felicidade, é raptado. Nessa casa-de-banho escura, perante a companhia cada vez mais temida de uma aranha, recorda uma vida repleta de amargura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo, filho de um pai novo-burguês, vira trotskista. Conhece uma mulher comunista, mas que vive segundo leis liberais, e tem um filho mimado que, pouco a pouco, se afasta dele. Regressa ao Brasil. Casa-se com uma especialista e experimentalista em sexo, que tem uma filha que pratica a auto-flagelação como filosofia de vida. Rompe com a mulher, cria afinidades com a rapariga, que o vê como um amigo. Talvez como pai. Para trás, ficou uma professora deformada por um acidente no churrasco, provocado pelo seu excesso de zelo, e uma colega que o achava atraente, mas que ele afastou devido a um medo que o perseguiu desde sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O típico anti-herói&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;“Transatlântico”, de Paulo Nogueira, é um bom livro. Crítico por vezes, bem-humorado por outras. Fatídico quase sempre. Paulo é o puro anti-herói, do qual se adivinham sempre os finais infelizes. Mas a personagem torna-se apaixonante. Tão próxima e ao mesmo tempo tão distante de nós, de pessoas que amamos ou conhecemos. Paulo, um “brasuca” altruísta, que todos gostariam de ter como amigo, procura um rumo para a vida que lhe foge desde criança. Desiste da faculdade de Direito, torna-se cobrador de impostos. Desiste de ser justo na procura das igualdades sociais e encontra a catarse num veleiro. E no mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já se disse que é bom. O sexto romance de Paulo Nogueira é mais que isso, é um livro surpreendente. Mas cria ao início uma relação difícil com o leitor. Como se houvesse dois ritmos, o autor deixa de abusar das comparações – às vezes chegam a ser duas numa frase – e passa a usá-las, mais lá para a frente, com mestria. Com inteligência. A obra torna-se assim melhor a cada página.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Transatlântico”, editado pelas Publicações D. Quixote, não chegou só agora às montras das livrarias. Já será difícil que o apanhem em lugar de destaque. Mas, para quem esteja atento, não será muito complicado reconhecê-lo quando estiver de frente para a capa. É que se trata de uma das mais bem conseguidas dos últimos tempos. A prova, como se ainda faltasse, de que se trata de um livro cuidado.&lt;br /&gt;(by &lt;strong&gt;Luís Mateus&lt;/strong&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11601903-111272796163999858?l=luismateus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://luismateus.blogspot.com/2005/04/nem-carne-nem-peixe-no-meio-do-oceano.html</link><author>noreply@blogger.com (Luís Mateus)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-11601903.post-111272330857929463</guid><pubDate>Tue, 05 Apr 2005 17:46:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-05-03T20:23:01.513+01:00</atom:updated><title>Ser judeu para o bem e para o mal</title><description>&lt;img src="http://usera.imagecave.com/lmateus/mitzvah.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;(Foto: Lusa)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma Mitzváh é um mandamento, uma ordem que se recebe da leitura e interpretação do Pentateuco, o conjunto dos cinco primeiros livros do Antigo Testamento. Para Alain Elkann, uma Mitzváh é sentir-se judeu e fazer com que os outros compreendam o que é sê-lo. O que nunca foi fácil, como conta, com maior ou menor paciência, a história. O seu livro, best-seller internacional, transporta-nos ao difícil mundo da tolerância para os novos costumes, crenças e religiões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ser judeu quer dizer prestar atenção, fazer o melhor possível para garantir alguma certeza a si mesmo e aos outros. Quer dizer saber ser olhado com suspeita, com inveja ou com respeito excessivo, mas de qualquer modo como um perigo. Ser judeu quer dizer ter de defender-se, tentar construir uma força interior para não ser destruído. Ser judeu quer dizer ter a responsabilidade de levar para a frente a cultura de um povo com mais de cinco mil anos de história e que ninguém ainda conseguiu, apesar das muitíssimas tentativas, exterminar, mandar calar.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mitzváh” é um livro sobre uma vida, a do autor. Uma obra sobre a sua tentativa de se integrar num mundo que sempre o olhou com desconfiança. A ele e aos outros. Elkann debate-se ao longo de 59 páginas com as suas filosofias de vida, filosofias de um “judeu errante”, como lhe chamava o pai. Por se sentir em casa em sítios diferentes, por acreditar que o mundo deveria ser apenas um. Por ser diferente dos demais. É um livro filosófico sobre uma causa: viver feliz.&lt;br /&gt;Alain Elkann faz o elogio do que é ser judeu. Do que foi e do que será. Para o bem e para o mal.&lt;br /&gt;(by &lt;strong&gt;Luís Mateus&lt;/strong&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11601903-111272330857929463?l=luismateus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://luismateus.blogspot.com/2005/04/ser-judeu-para-o-bem-e-para-o-mal.html</link><author>noreply@blogger.com (Luís Mateus)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-11601903.post-111289929111972273</guid><pubDate>Fri, 01 Apr 2005 19:39:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-04-07T19:41:31.120+01:00</atom:updated><title>Sugestões de leituras (de 1 a 7 de Abril)</title><description>&lt;strong&gt;O Exílio e o Reino, de Albert Camus (Livros do Brasil)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Seis contos reunidos pelo talento de Camus – “A Mulher Adúltera”, “O Renegado”, “Os Mudos”, “O Hóspede”, “Jonas” e “A Pedra que Cresce” – escritos um após o outro, em série, mas trabalhados isoladamente, com estilos diferentes, desde o monólogo interior à narração realista. O tema comum é o exílio. O exílio como forma de renascer e de negar a submissão a ideias erradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mar de Glória, de Nathaniel Philbrick (Publicações Europa-América)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A história da grande expedição norte-americana de 1838 aos mares do Sul. Quatro anos na Antártida e no Pacífico resultaram em várias descobertas científicas e geográficas. Uma viagem que se quis esquecer devido aos maus-tratos causados à população pelo arrogante e paranóico Charles Wilkes, líder da expedição. A luta entre o homem e a natureza, a América e a Europa, a ciência e a política, os homens e entre cada um consigo próprio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Sonho dos Heróis, de Adolfo Bioy Casares (Cavalo de Ferro)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Só o punho decidido do argentino conseguiria aguentar durante mais ou menos 160 páginas um ritmo tranquilo para nas últimas dez ou 20 mudar por completo o rumo dos acontecimentos. Um livro sobre a insegurança na mudança da adolescência para a idade adulta e sobre a inevitabilidade do destino. Casares foi galardoado em 1990 com o Prémio Cervantes – o maior reconhecimento dado a escritores de língua espanhola – e este é um dos livros que explica porquê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Malmequer, Bem-me-quer, de Claudia Carroll (Presença)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Esta é a estreia literária da actriz irlandesa Claudia Carroll. Um livro leve, espirituoso, que procura que o leitor se sinta bem em cada parágrafo. Um livro para divertir, escrito com simplicidade. A história de uma família rica e da sua vida depois da fuga do pai com uma jovem ajudante de cavalariça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Livro dos Homens sem Luz, João Tordo (Temas e Debates)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Livro de estreia, palavras que envolvem e sobressaltam, com as sombrias Londres e Brighton a fazer de cenário. Quatro histórias paralelas, em viagem entre o presente sem luz e o passado onde desligaram a corrente eléctrica das suas vidas. Um pesadelo que lembra Kafka por vezes, Edgar Allan Poe outras e que vai crescendo com um solidez que não deixa que se pare de ler no final da próxima página.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A Vizinha do Lado, de Barbara Delinksy (Difel)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Um jovem casal tem um objectivo comum a tantos outros: ter filhos. O tempo passa e Amanda não engravida. Paralelamente, uma jovem vizinha, viúva há um ano, descobre que vai ser mãe e recusa-se a revelar o nome do pai. A infertilidade é o ponto de partida de um livro sobre as dificuldades por que passa um casamento. E sobre tudo o que pode acontecer no dia-a-dia.&lt;br /&gt;(by &lt;strong&gt;Luís Mateus&lt;/strong&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11601903-111289929111972273?l=luismateus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://luismateus.blogspot.com/2005/04/sugestes-de-leituras-de-1-7-de-abril.html</link><author>noreply@blogger.com (Luís Mateus)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-11601903.post-111230753113029569</guid><pubDate>Thu, 31 Mar 2005 22:13:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-05-03T20:44:25.460+01:00</atom:updated><title>Uma Londres dividida de alto a baixo</title><description>&lt;img src="http://usera.imagecave.com/lmateus/neverwhere.jpg" align="right"/&gt;E se lhe dissessem que uma das mais conhecidas cidades da Europa está dividida ao meio? Bem, Berlim também esteve, não seria nada do outro mundo. Mas e se não fosse ao meio num plano horizontal, mas sim vertical? Se lhe dissessem que existe uma Londres-de-Cima e uma Londres-de-Baixo, acreditaria? Um Londres real e uma Londres no submundo, esquecida entre as linhas de metropolitano? Neil Gaiman parte deste conceito para criar um romance onde a ficção mais próxima da realidade se confunde com outra, a caminhar para o fantástico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Door cai aos pés de Richard, que caminha ao lado da noiva, Jessica, pela cidade, rumo a um jantar importante. O encontro com essa rapariga em fuga, que possui a estranha habilidade para abrir portas mesmo onde não existem, transporta-o para outra dimensão. Um mundo onde há gente que-fala-com-ratos, anjos, uma chave guardada por monges e duas personagens maléficas – Mr. Croup e Mr. Vandemar –, que matam a cada esquina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Door procura o autor moral da morte de toda a família, sabendo, por intuição, que Croup e Vandemar foram os autores materiais. Richard vê o seu mundo mudar, sem ninguém que o reconheça, inclusive Jessica, e sem dinheiro e a vida habitual, após o contacto com a estranha rapariga ferida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Entre o sorriso e o arrepio&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;“Neverwhere – Na Terra do Nada”, editado em Portugal pela Presença, é um livro bem conseguido. Divertido. Por vezes, aterrorizador. Tão aterrorizador como Croup e Vandemar podem ser na escuridão dos túneis. O grupo improvável – Richard, um campónio que veio trabalhar para a cidade; Door, uma rapariga com poderes telecinéticos; um marquês, De Carabas, com sete vidas; e uma “amazona”, a que chamam Caçador, contratada como segurança de Door – tenta devolver a chave a um anjo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segredo de Gaiman é conseguir manter sempre ténue a fronteira entre a ficção-realidade e a ficção-fantasia. Ao segurar com rédeas firmes a imaginação, o autor mantém o leitor agarrado à terra numa história sobre um mundo irreal.&lt;br /&gt;(by &lt;strong&gt;Luís Mateus&lt;/strong&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11601903-111230753113029569?l=luismateus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://luismateus.blogspot.com/2005/03/uma-londres-dividida-de-alto-baixo.html</link><author>noreply@blogger.com (Luís Mateus)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-11601903.post-111222084789611958</guid><pubDate>Wed, 30 Mar 2005 22:13:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-05-03T20:45:21.436+01:00</atom:updated><title>Matar pode ou não dar felicidade?</title><description>&lt;img src="http://usera.imagecave.com/lmateus/o_dia_em_que_matei_o_meu_pai.jpg" align="right"/&gt;“O Dia em que Matei o Meu Pai” é o romance de estreia de Mario Sabino, editor-executivo da revista “Veja”. Um livro que quer perturbar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“’Venham-me prender. Matei o meu pai’, e desliguei o telefone”. O dia-a-dia de um assassino - com um livro chamado “Futuro”, escrito pelo próprio e transformado parêntesis no meio da trama - até ao dia do crime. Uma confissão relatada no divã de uma psicóloga, a quem se tenta impressionar. A procura de uma justificação para um disfarçado complexo de Édipo, para a força encontrada antes de desferir duas pauladas no cocuruto do progenitor. Um parricídio, contado de forma fria, quase factual, pelo filho humilhado. É assim “O Dia em que Matei o meu Pai”, do jornalista brasileiro Mario Sabino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O assassino, que se salvou da prisão por alegada demência, procura com ajuda psicológica encontrar ele próprio as razões que o levaram a matar o pai. Ou talvez já as conheça e as viagens mentais feitas na companhia da analista sirvam apenas para alimentar o seu alter-ego. Talvez nem tudo seja verdade, como ele próprio admite depois de algumas divagações. O monólogo - será que a médica está mesmo presente enquanto relata a sua história? - continua, no entanto, por um mundo estranho, escuro e por vezes inquietante. O discurso divaga entre filosofias de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dois livros paralelos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O livro introduzido a meio do romance traz outra história, paralela. “Futuro” também trata de perversão e de morte. É outra história, também sombria, dentro da trama principal. A mente de um assassino em jeito de romance. Uma viagem diferente, ficção dentro ficção. O mesmo tema, com causas diferentes e finais semelhantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O escritor diz, em jeito de conclusão, em jeito de aviso aos leitores portugueses, que a boa literatura é movida pela infelicidade. E o parricida é um filho infeliz. Um marido infeliz. A soma de negativos dá, inevitavelmente, um assassino feliz.&lt;br /&gt;(by &lt;strong&gt;Luís Mateus&lt;/strong&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11601903-111222084789611958?l=luismateus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://luismateus.blogspot.com/2005/03/matar-pode-ou-no-dar-felicidade.html</link><author>noreply@blogger.com (Luís Mateus)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-11601903.post-111213824167162903</guid><pubDate>Tue, 29 Mar 2005 22:24:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-03-30T00:18:44.406+01:00</atom:updated><title>"Voices of Love – The Most Beautiful Voices of All Time"</title><description>Uma colectânea é sempre suspeita. Falta sempre alguém ou alguma canção predilecta. De repente, lembramo-nos dos sussurros de Carla Bruni em “Raphael” ou em qualquer das outras canções de “Quelqu’un m’a dit”, de Julie London em “Cry me a River”, de Lisa Ekdahl em “When Did you Leave Heaven” ou de Nina Simone, nas fantásticas mudanças de ritmo através das canções de “The Tomatoe Collection”. Isto só no lado feminino. Mas, ao que tudo indica, se olharmos para outras compilações do mesmo género, “Voices of Love” foi feito para ser apenas o número um de uma série de CD sobre o tema. Por isso, não se levantem já suspeitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se pode dizer que este conjunto de faixas dedicado à voz e a um dos temas predilectos dos cantores, o amor, seja pouco inteligente. Com “Love” de John Lennon e “Against all Odds” de Phil Collins parte-se do passado para um presente bem representado por Damien Rice (“Cannonball”) e Joss Stone (“Security”). Depois, há as vozes inconfundíveis de Madonna, Sinéad O’Connor, Tina Turner e Ray Charles pata reforçar essa ponte entre hinos e outros temas que o podem ser em breve.&lt;br /&gt;(by &lt;strong&gt;Luís Mateus&lt;/strong&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11601903-111213824167162903?l=luismateus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://luismateus.blogspot.com/2005/03/voices-of-love-most-beautiful-voices.html</link><author>noreply@blogger.com (Luís Mateus)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-11601903.post-111213331634337183</guid><pubDate>Tue, 29 Mar 2005 21:52:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-05-03T20:46:09.266+01:00</atom:updated><title>Tudo sobre... Nevermind</title><description>&lt;img src="http://usera.imagecave.com/lmateus/dvd_nirvana.jpg" align="right"/&gt;O grunge nasce e poderá ter morrido com os Nirvana. Nasce e perde fulgor depois de um primeiro álbum: “Nevermind”. Nasce e morre com o suicídio de Kurt Cobain, o vocalista, três anos depois. Em 1991, Michael Jackson é destronado pelo polémico vinil de capa azul, com um bebé a nadar atrás de uma nota de dólar, no top norte-americano. A banda, nada e criada em Seattle, alcança um sucesso inesperado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este DVD mostra como foi feito o álbum que mudou a face do rock mundial. A energia de Cobain, o condicionamento das letras em relação à música e o trabalho em estúdio estão documentados em tempo a menos para quem tem os Nirvana na prateleira das melhores bandas de todos os tempos, mas em 45 minutos suficientes para quem apenas os quer conhecer melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os extras também deixam algo a desejar. Para além de uma versão ao vivo de um dos hinos da banda – Polly –, apenas existe o “making of” do vídeo de “Smells Like Teen Spirit”, a explicação para a capa e escassos minutos sobre o ingresso do baterista Dave Grohl na banda e sobre a viagem, de avanços e recuos literais no automóvel de Kurt, até Los Angeles, para a gravação do disco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Butch Vig, o produtor de “Nevermind”, revela em frente da mesa de mistura os efeitos que criou, por vezes contra a opinião de Cobain, para que o álbum tivesse saído tão bom. Denuncia-se ainda a razão para a decisão do vocalista em acabar com a vida, no mês de Abril de 1994, com um tiro de caçadeira e três vezes a quantidade mortal de heroína no sangue: ele, que a tantos jovens chegara através do seu discurso crítico para com a sociedade, à qual nunca se adaptara, apercebera-se de que o sucesso não lhe trouxera as razões para continuar a sobreviver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O DVD viaja através de “Nevermind” e não pelo mundo dos Nirvana. Isso está defendido até no próprio título e pós-título: “a autorizada história do álbum”. Para os verdadeiros fãs, falta o resto.&lt;br /&gt;(by &lt;strong&gt;Luís Mateus&lt;/strong&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11601903-111213331634337183?l=luismateus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://luismateus.blogspot.com/2005/03/tudo-sobre-nevermind.html</link><author>noreply@blogger.com (Luís Mateus)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-11601903.post-111205361587002858</guid><pubDate>Mon, 28 Mar 2005 23:42:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-03-29T13:48:32.820+01:00</atom:updated><title>Uma das grandes "chapas" do ano</title><description>&lt;img src="http://usera.imagecave.com/lmateus/3.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;(Foto de Martin Zabala/Efe)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12 Dezembro de 2004. Os adeptos do Newell's Old Boys festejam a conquista do Torneio Apertura da Argentina, depois de uma derrota frente ao Independiente (2-0). A foto ganhou o terceiro prémio de fotojornalismo do ano nos Estados Unidos. Ser jornalista é isto mesmo. É para isto que servem os clichés...&lt;br /&gt;(by &lt;strong&gt;Luís Mateus&lt;/strong&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11601903-111205361587002858?l=luismateus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://luismateus.blogspot.com/2005/03/uma-das-grandes-chapas-do-ano.html</link><author>noreply@blogger.com (Luís Mateus)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-11601903.post-111194943489985769</guid><pubDate>Sun, 27 Mar 2005 18:49:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-03-27T19:51:42.380+01:00</atom:updated><title>Guerreia, filho, guerreia... Tu gostas disso, não é filho?!</title><description>&lt;p&gt;As palavras de shô Scolari antes do jogo fizeram com que se tivesse perdido o interesse em relação ao dito. Não imediatamente, mas durante. O que se viu em campo, foi muita luta e pouquíssimo futebol, claro. Muita guerra. "Quem vem à Selecção e não meter o pé, não volta mais", avisou o chefão. Meteu-se o pé, claro. E a bola não gostou, como se fosse daquelas que se vende em brinde-surpresa de 1 euro às portas de papelarias e cafés. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Bem, é o Felipão, de que estavam à espera? Se ele tivesse dito: "Queremos ganhar porque nos dá moral. E jogar bem, com combinações alinhavadas nos treinos, livres combinados e algumas surpresas... Se ganharmos melhor, se não não há problema. Há coisas mais importantes do que os golos!"... Sim, eu sei que ele nunca o diria. Mas, reitero, se o tivesse dito não seria Scolari, mas um treinador.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;(Nesta fase, vão começar os insultos: "Lá estão a dizer mal do homem", "Ele disse o que tinha de dizer, os jogadores não querem fazer nenhum..." ou "Se fosse português nunca diriam isto"). &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Azar! O modelo que vingou na Selecção no Euro foi o de Mourinho e não o de Scolari. A desculpa de que não tinha razões para alterar o onze até à derrota inaugural com a Grécia não pega... Quantos finalistas Portugal ganhou na rota para o Europeu? Alô?O Portugal-Canadá foi em 90/95 por cento uma perda de tempo (os jogadores não o sabiam?). Ficámos mais contentes porque provámos que conseguimos bater uma equipa onde Fernando Aguiar era titular aqui há uns anos? Conseguimos garantir que continuamos tão goleadores como nos tempos recentes dos 7-1 à Rússia ou dos 5-0 ao Luxemburgo? Provámos que Quim não é mau na baliza? Que ao lutarmos muito ganhamos sempre? Alguém duvida de que lutar muito e lutar desde cedo faz crescer? Alguém duvida de que quanto mais se corre e carrinhos se faz menos discernimento para jogar à bola se tem?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os 5/10 por cento que faltam para que tenha sido uma perda de tempo explicam-se com o nome de Manuel Fernandes (que provou já ter maturidade para jogar nos AA) e para Postiga recuperar o sentido de baliza.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;(by &lt;strong&gt;Luís Mateus&lt;/strong&gt;)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11601903-111194943489985769?l=luismateus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://luismateus.blogspot.com/2005/03/guerreia-filho-guerreia-tu-gostas.html</link><author>noreply@blogger.com (Luís Mateus)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-11601903.post-111289947598001147</guid><pubDate>Thu, 24 Mar 2005 16:43:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-04-07T19:45:45.866+01:00</atom:updated><title>Sugestões de leituras (de 24 a 31 de Março)</title><description>&lt;strong&gt;A Guardiã dos Sonhos, de Rani Manicka (Asa)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Um poderoso e bem trabalhado romance, que transporta os leitores até às paisagens, costumes e delícias culinárias da Malásia. As histórias de quatro gerações de mulheres são contadas por Rani Manicka neste seu primeiro livro, que junta os sentimentos de perda, amor e traição num cenário exótico, cheio de deuses, fantasmas e magia. Complexo e intenso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Néctar, de Lily Prior (Bizâncio)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Uma sátira, enquadrada naquilo que praticamente se tornou uma corrente literária: o realismo mágico. Lily Prior conta a história de Ramona Drottoveo, uma mulher sensual, devoradora de homens, expulsa do paraíso até conseguir seduzir um apicultor que sempre a rejeitou. “Néctar” propõe ser um livro divertido, sensual, capaz de entreter e fazer rir durante mais de 200 páginas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Máscaras de Matar, de León Arsenal (Presença)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Uma máscara maligna desaparecida volta para espalhar ainda mais violência no terror diário de um povo, os Seis Dedos. A morte e o traço realista na descrição das batalhas são constantes neste livro, que venceu o prémio internacional Minotauro, que se dedica à ficção científica e literatura fantástica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Dia em que Matei o Meu Pai, de Mário Sabino (Saída de Emergência)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Uma narrativa rápida, que se devora de uma só vez. O assassino conta a uma psicóloga como e por que matou o seu pai, invocando uma série de ideias religiosas e filosóficas, verdades e mentiras. A estreia em ficção do brasileiro Mário Sabino, editor-executivo da revista “Veja”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Caso da Rua Direita, de Carlos Ademar (Oficina do Livro)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A ficção que podia ser realidade. O investigador criminal da Polícia Judiciária, Carlos Ademar, faz neste livro um relato do que é normalmente o quotidiano de quem persegue criminosos. Uma viagem num mundo desconhecido...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Madame Sadayakko, de Lesley Downer (Bertrand)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Uma excelente biografia, resultante de uma pesquisa apurada, com uma excelente estrutura e escrita de forma a cativar o leitor. A história de uma gueixa, a primeira a viajar à volta do mundo, a tornar-se actriz no ocidente sem conseguir falar uma palavra de inglês. Foi aclamada, conheceu monarcas e artistas. E, por isso, ficou com tanto para contar, através de Lesley Downer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Marta e Maria, de Mousette Braga (Ariadne)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Um livro que se lê de um trago. Uma poesia que não se lamenta, que rima pensamentos e ideias, e vai além da emotividade. Uma poesia de alguém que tem opiniões, caminhos diferentes. Um olhar feminino, em verso, para a vida que nos rodeia.&lt;br /&gt;(by &lt;strong&gt;Luís Mateus&lt;/strong&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11601903-111289947598001147?l=luismateus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://luismateus.blogspot.com/2005/03/sugestes-de-leituras-de-24-31-de-maro.html</link><author>noreply@blogger.com (Luís Mateus)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-11601903.post-111160338800530153</guid><pubDate>Wed, 23 Mar 2005 18:41:00 +0000</pubDate><atom:updated>2005-05-03T20:50:55.826+01:00</atom:updated><title>Ciência e religião em guerra total</title><description>&lt;img src="http://usera.imagecave.com/lmateus/Illuminatispinnerwhitesmall.gif" align="right" /&gt;&lt;br /&gt;“Anjos e Demónios”. É o último romance de Dan Brown a ser editado em Portugal, apesar de ter sido escrito antes de o “Código Da Vinci”, o livro que surpreendeu o mundo em 2004. Uma antiga irmandade secreta regressa à actividade para ameaçar de aniquilação o Vaticano, reunido para o Conclave de eleição do novo Papa. Uma experiência científica para provar a existência de Deus resulta numa arma de destruição maciça, a antimatéria. Os Illuminati, representantes do mundo científico, querem vingar-se das perseguições da Igreja no passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Robert Langdon é um especialista em simbologia religiosa chamado de urgência ao mais avançado centro de investigação científica devido a uma morte misteriosa. O ambigrama (uma palavra que se lê da mesma forma mesmo que seja invertida) Illuminati tinha sido queimado no peito de um cientista. Na companhia da filha da vítima, Robert parte na descoberta do antigo “Caminho da Iluminação” – os candidatos a membros da irmandade tinham de descobrir um caminho secreto pela cidade de Roma – a partir de um documento de Galileu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cinco horas para salvar a Igreja&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um Hashassin (assassino árabe que festejava as mortes com o consumo de haxixe) é contratado por Janus, o homem que se propõe erradicar a Igreja Católica do planeta. Os quatro cardeais preferidos para a sucessão ao papa morto são raptados e serão assassinados de hora a hora, junto a cada um dos quatro elementos do “Caminho da Iluminação”. A antimatéria está a horas de tornar o país mais pequeno do mundo num vazio entre fronteiras. Robert e Vittoria têm cinco horas para o impedir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capítulos pequenos dão origem a uma leitura rápida, sem grandes pausas para figuras de estilo como elipses ou para descrições extensas e complexas. As mais de 500 páginas são desbravadas mais rapidamente do que o esperado, o livro torna-se um filme com intervalos, ao qual se regressa sempre com o mesmo interesse. “Anjos e Demónios” não entusiasma pelo barroquismo da escrita, mas pela aura de expectativa criada pelo discurso linear de Dan Brown, que aumenta com a evolução da trama. Apesar de algumas pistas denunciarem “twists” na evolução da história, Brown consegue evitar a clarividência total do leitor antes da altura certa. Até o final lembra um filme. Norte-americano. De final feliz, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma analogia simples em jeito de conclusão: quem gostou de “Código Da Vinci” vai gostar de “Anjos e Demónios”.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;(by &lt;strong&gt;Luís Mateus&lt;/strong&gt;)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11601903-111160338800530153?l=luismateus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://luismateus.blogspot.com/2005/03/cincia-e-religio-em-guerra-total.html</link><author>noreply@blogger.com (Luís Mateus)</author></item></channel></rss>