Sugestões de leituras (de 20 a 26 de Maio)
“Shutter Island”, de Dennis Lehane (Gótica)
Um livro que se lê e relê. Porque é excelente e porque o fim nos atira de novo para o princípio, nos obriga a olhar para toda a história com uma visão diferente. Porque o que fica obscuro nos continua a perseguir depois da última página. O autor de “Mystic River”, transportado com grande sucesso para o cinema, continua a surpreender. Em 1954, o polícia Teddy Daniels investiga o misterioso desaparecimento de uma doente de um manicómio, situado numa ilha à qual só há acesso por barcos comerciais. Quem o ler não o vai esquecer por muito tempo.
“Gente do Milénio”, de J.G. Ballard (Quetzal)
O futuro segundo um dos nomes fortes da literatura inglesa contemporânea. Ballard aborda dois dos seus temas preferidos: o mito dos media e a crise da sociedade da abundância, com a consequente perda de valores. O ponto de partida é uma explosão no aeroporto de Heathrow, em Londres, Inglaterra. Um psicólogo descobre que a ex-mulher está entre as vítimas e começa a investigar o crime. O ponto de chegada é um grupo que incita à revolução da classe média.
“O Silêncio das Carpideiras”, de Miguel Miranda (D. Quixote)
Um excelente livro de Miguel Miranda, o seu quarto romance. O país vive nos tempos da ditadura. Dornelos, uma aldeia do interior, vai ter por perto uma barragem, que a vai deixar submersa. A aldeia assume-se como personagem principal, na luta contra a inundação, contra os reflexos de uma modernidade que nunca desejada. Uma escrita trabalhada, lenta e minuciosa leva-nos na perfeição à vida rural, onde tudo se passa a um ritmo diferente. Um excelente domínio das palavras por parte do autor.
“Alice deste Lado do Espelho”, de Lisa Dierbeck (Teorema)
Uma releitura de “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carrol.
Uma rapariga de 11 anos cresce num corpo de 16, de seios desenvolvidos e pernas longas, que enfeitiça todos os homens que encontra. Vive em Manhattan, nos Estados Unidos, com uma tia, viciada em cocaína, porque a mãe fugiu para Itália e o pai está internado. Alice atravessa uma fase difícil. Na escola, os miúdos chamam-lhe nomes porque é mais alta que os professores. Só em Nova Iorque, que a olha de outra forma, é popular. Não é criança nem adulta. Encolhe e diminui consoante quem a vê. Num curso de Verão, relaciona-se com um traficante e inicia aí a sua viagem a outro mundo. Ao Inferno.
“Nem Tudo Começa com um Beijo”, de Jorge Araújo e Pedro Sousa Pereira (Oficina do Livro)
Um livro para jovens que pisca o olho aos adultos, onde se pode morrer de amor. Fio Maravilha e Nuvem Maria são os nomes bizarros das personagens centrais desta obra de ficção. Mas também há Gelatina e Domingo. E Gelatina tem um segredo, que só Domingo conhece. O mundo (a casa) divide-se em “subterrâneos” (cave) e “prédios com vista sobre a solidão” (sótão) e o caminho entre os dois universos é feito pelos esgotos. Um terramoto torna-os mais próximos.
“O Anjo de Bagdade”, de Paul-Loup Sulitzer (Europa-América)
Um brilhante homem de negócios espera que os soldados norte-americanos cheguem ao Iraque para estabelecer a democracia. Mas Bagdad nunca mais será a mesma. A cidade fica a saque e sofre com a ocupação estrangeira. Mas Michel Samara não acredita na submissão e idealiza um plano maquiavélico para estragar os planos de George W. Bush. Sulitzer, que junta à escrita a profissão de economista, sentiu-se como peixe na água ao escrever este livro.
Depois de “Campo de Sangue”, Dulce Maria Cardoso editou recentemente “Os Meus Sentimentos”, um excelente livro, também com a chancela da Asa, que se passa nos minutos que demora uma mulher (Violeta) a morrer, após um acidente de automóvel. Quase mórbido, mas ao mesmo tempo bastante distante de o ser. Triste, como as cores (castanho e branco) que fazem a capa. Uma história de vida. O segundo exemplo de que a autora está na linha da frente dos autores portugueses.
O amor, outra vez. O encontro, a paixão, a separação, a sensação corrosiva de vazio, o reencontro. Quase um ano depois de “Romance em Amesterdão”, Tiago Rebelo edita o seu sexto trabalho de ficção. “Encontro em Jerusalém” é, muito provavelmente, o melhor livro do autor, que a editora (Presença) classifica como o Nicholas Sparks português, comparando os números das vendas.
Um peixe, a solidão do mar, uma doença mortal. A luta pela sobrevivência. O velho Santiago lança-se ao alto mar, em redor de Havana, Cuba, para provar aos mais jovens que, depois de 84 dias sem pescar qualquer peixe, ainda tem o instinto e a perícia necessários para não voltar com a proa vazia. Com uma nova isca, feita por um jovem amigo, o aprendiz e antigo companheiro de pesca Manolín, prepara-se para capturar um peixe-recorde, com mais de cinco metros de comprimento.
