quinta-feira, maio 19, 2005

Sugestões de leituras (de 20 a 26 de Maio)

“Shutter Island”, de Dennis Lehane (Gótica)
Um livro que se lê e relê. Porque é excelente e porque o fim nos atira de novo para o princípio, nos obriga a olhar para toda a história com uma visão diferente. Porque o que fica obscuro nos continua a perseguir depois da última página. O autor de “Mystic River”, transportado com grande sucesso para o cinema, continua a surpreender. Em 1954, o polícia Teddy Daniels investiga o misterioso desaparecimento de uma doente de um manicómio, situado numa ilha à qual só há acesso por barcos comerciais. Quem o ler não o vai esquecer por muito tempo.

“Gente do Milénio”, de J.G. Ballard (Quetzal)
O futuro segundo um dos nomes fortes da literatura inglesa contemporânea. Ballard aborda dois dos seus temas preferidos: o mito dos media e a crise da sociedade da abundância, com a consequente perda de valores. O ponto de partida é uma explosão no aeroporto de Heathrow, em Londres, Inglaterra. Um psicólogo descobre que a ex-mulher está entre as vítimas e começa a investigar o crime. O ponto de chegada é um grupo que incita à revolução da classe média.

“O Silêncio das Carpideiras”, de Miguel Miranda (D. Quixote)
Um excelente livro de Miguel Miranda, o seu quarto romance. O país vive nos tempos da ditadura. Dornelos, uma aldeia do interior, vai ter por perto uma barragem, que a vai deixar submersa. A aldeia assume-se como personagem principal, na luta contra a inundação, contra os reflexos de uma modernidade que nunca desejada. Uma escrita trabalhada, lenta e minuciosa leva-nos na perfeição à vida rural, onde tudo se passa a um ritmo diferente. Um excelente domínio das palavras por parte do autor.

“Alice deste Lado do Espelho”, de Lisa Dierbeck (Teorema)
Uma releitura de “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carrol.
Uma rapariga de 11 anos cresce num corpo de 16, de seios desenvolvidos e pernas longas, que enfeitiça todos os homens que encontra. Vive em Manhattan, nos Estados Unidos, com uma tia, viciada em cocaína, porque a mãe fugiu para Itália e o pai está internado. Alice atravessa uma fase difícil. Na escola, os miúdos chamam-lhe nomes porque é mais alta que os professores. Só em Nova Iorque, que a olha de outra forma, é popular. Não é criança nem adulta. Encolhe e diminui consoante quem a vê. Num curso de Verão, relaciona-se com um traficante e inicia aí a sua viagem a outro mundo. Ao Inferno.

“Nem Tudo Começa com um Beijo”, de Jorge Araújo e Pedro Sousa Pereira (Oficina do Livro)
Um livro para jovens que pisca o olho aos adultos, onde se pode morrer de amor. Fio Maravilha e Nuvem Maria são os nomes bizarros das personagens centrais desta obra de ficção. Mas também há Gelatina e Domingo. E Gelatina tem um segredo, que só Domingo conhece. O mundo (a casa) divide-se em “subterrâneos” (cave) e “prédios com vista sobre a solidão” (sótão) e o caminho entre os dois universos é feito pelos esgotos. Um terramoto torna-os mais próximos.

“O Anjo de Bagdade”, de Paul-Loup Sulitzer (Europa-América)
Um brilhante homem de negócios espera que os soldados norte-americanos cheguem ao Iraque para estabelecer a democracia. Mas Bagdad nunca mais será a mesma. A cidade fica a saque e sofre com a ocupação estrangeira. Mas Michel Samara não acredita na submissão e idealiza um plano maquiavélico para estragar os planos de George W. Bush. Sulitzer, que junta à escrita a profissão de economista, sentiu-se como peixe na água ao escrever este livro.

A vida reflectida por uma gota no pára-brisas

Depois de “Campo de Sangue”, Dulce Maria Cardoso editou recentemente “Os Meus Sentimentos”, um excelente livro, também com a chancela da Asa, que se passa nos minutos que demora uma mulher (Violeta) a morrer, após um acidente de automóvel. Quase mórbido, mas ao mesmo tempo bastante distante de o ser. Triste, como as cores (castanho e branco) que fazem a capa. Uma história de vida. O segundo exemplo de que a autora está na linha da frente dos autores portugueses.

A ilustração de uma vida, presa no reflexo de uma gota de água que permanece em suspenso no pára-brisas, é conseguida pelo regresso lento ao passado, a uma vida infeliz, mas distorcidamente feliz, a relações complicadas (com os pais e com a filha), à conturbada visão de o espelho lhe devolve e a faz procurar o sexo com desconhecidos, e a um tempo de mudança (pouco depois do 25 de Abril de 1974).

Dulce Maria Cardoso garantiu em entrevistas que o seu livro não é mórbido, apesar de ter o fim da vida como tema. “Escrevo sobre a morte para celebrar a vida”, disse. E “Os Meus Sentimentos” é isso mesmo: uma dissertação sobre um modo de viver. O pai de Violeta escolhe a mãe para casar, apesar de ter uma relação com outra mulher, da qual nasce um rapaz. A mãe permanece com a cabeça e o estilo de vida amarrados aos tempos que antecederam a Revolução. O rapaz alia-se aos movimentos revolucionários e confronta o pai. Mais tarde, conhece Violeta e do relacionamento nasce uma menina. Violeta e a filha estão cada vez mais afastadas, talvez por culpa da progenitora, cujo estilo de vida não é o mais exemplar. Gorda, muito gorda, procura sexo ocasional em estações de serviço e em outros locais. A morte surge na estrada, mas o coração parece continuar a bater indefinidamente.

“Os Meus Sentimentos” é um excelente livro, muito bem escrito. Trabalhado até à exaustão. Talvez por isso, em alguns momentos, faça lembrar António Lobo Antunes. Tão cheio de emoções que, no fim, bate-nos com a força de uma maré enorme de tristeza. Pela vida. Pela mulher que tem o “nome de uma flor que também é uma cor”. Violeta.

sábado, maio 14, 2005

Sugestões de leituras (de 14 a 19 de Maio)

“A Voz Secreta das Mulheres Afegãs – O Suicídio e o Canto”, de Sayd Bahodine Majrouh (Cavalo de Ferro)
“Em segredo ardo, em segredo choro/Sou a mulher pashtun que não pode revelar o seu amor”. Este “landay” – termo que pode ser traduzido para “breve” – simboliza o que é este livro de poemas tradicionais das mulheres do Afeganistão, uma obra contra a repressão, seja esta do poder instituído ou em casa, pelo “horrível pirralho”, o marido. O autor fez a importante recolha antes de ser assassinado no Paquistão, país que escolheu para o exílio. A poetisa Ana Hatherly é a responsável pela tradução, a partir do francês.

“Um Pintor na Corte”, de Sonia Overall (Civilização)
Novela de estreia da escritora inglesa, que nos transporta até ao tempo de Isabel I. Um jovem pintor talentoso acredita que pode fazer parte da corte e tornar-se um dos mais bem sucedidos artistas da sua era. Mas depressa percebe que entrar no meio não é fácil e só com a cumplicidade da bela Kat o consegue. A relação entre os dois torna-se cada vez mais íntima a partir do momento em que Robin Thomas passa a ter os favores da nobreza. “Um Pintor na Corte” é um livro colorido, ou seja: as imagens que nos traz são nítidas, vívidas e belas.

“O Cão na Casa Verde”, de Isabel Millet (Caixotim)
A pintora Paula Rego foi uma das leitoras privilegiadas (e mais entusiasmadas) do romance de Isabel Millet e é sua a ilustração da capa. O livro é inspirado nas memórias de infância da autora, passadas na casa de Guilhermina Suggia. Que era verde. A discípula da célebre violoncelista criou um novo mundo em cima da saudade dos tempos passados na Rua da Alegria, nº 665.

“Mãe e Filha”, de Marianne Fredriksson (Presença)
Katarina é uma jovem arquitecta independente que, quando conta ao companheiro – um americano de passagem na Suécia – que está grávida, não consegue evitar que este a deixe inconsciente e seja obrigada a recuperar numa cama de hospital. Vê-se impelida a pedir ajuda à mãe Elisabeth, ao irmão Olof e à bela irmã Erika. E descobre que o pai também batia na mãe, o que as torna mais próximas e a ajuda a esquecer o passado.

“O Reino Encantado”, de Mário Ventura (Casa das Letras)
Um escritor procura inspiração para um novo livro na investigação de uma história verídica: o mito sebastianista regressara no Brasil em 1838. Um grupo de fanáticos decide suicidar-se para fazer com que o corpo encantado do rei português, que, acreditam, está sepultado algures em Pernambuco, regresse à vida. Uma dádiva de sangue para que o nevoeiro que envolve o monarca o traga de volta.

quinta-feira, maio 12, 2005

O amor nos tempos de guerra

O amor, outra vez. O encontro, a paixão, a separação, a sensação corrosiva de vazio, o reencontro. Quase um ano depois de “Romance em Amesterdão”, Tiago Rebelo edita o seu sexto trabalho de ficção. “Encontro em Jerusalém” é, muito provavelmente, o melhor livro do autor, que a editora (Presença) classifica como o Nicholas Sparks português, comparando os números das vendas.

Os best sellers são muito raramente amados pela crítica. “Encontro em Jerusalém” não deverá alterar a ideia já formada sobre Tiago Rebelo: pouco literário, de escrita fácil e populista, com o amor sempre como ponto de partida e chegada dos seus livros. Mas a nova obra é mais do que uma viagem por um romance entre duas pessoas. A complexidade sangrenta da guerra, vista de um lado neutral por quem apenas relata, a dor do aborto como potenciadora da destruição de um casamento e a vida diária de quem arrisca a vida por uma história a contar alargam os horizontes deste livro.

Afonso e Francisca são dois jornalistas, dois repórteres de guerra, que se encontram em Jerusalém (daí o título). Os dois testemunham a violência e a tensão crescente entre israelitas e palestinianos, mas são expulsos do país porque uma fotografia faz capa em Portugal. Apaixonam-se e viajam juntos para Sarajevo, onde fogem aos disparos dos franco-atiradores, testemunhando o horror de uma guerra que não poupa ninguém, nem mulheres e crianças. O regresso a Jerusalém acontece mais tarde, já com Francisca grávida.

Tiago Rebelo transforma uma praça de Jerusalém no cenário principal do romance. A linguagem, quase cinematográfica, tem aqui o seu ponto alto. Francisca espera por Afonso numa esplanada e não sabe que, poucos metros à sua frente, uma mulher-bomba pensa no que está para acontecer. A polícia, alertada, descobre-a, mas uma bala menos feliz provoca a explosão. Francisca – que já pegara na máquina e começara a fotografar febrilmente - cai para trás. Depois descobre que perdeu o bebé, mais tarde é-lhe dito que não pode mais ter filhos. É o princípio do fim da sua relação com Afonso.

“Encontro em Jerusalém” lê-se num ou dois dias. Um trabalho mais atento de revisão e edição poderia ter resolvido alguns dos seus problemas. Mas Tiago Rebelo parece estar no bom caminho, este livro é melhor que o último. Se o próximo for melhor que este...

sábado, maio 07, 2005

Sugestões de leituras (de 7 a 13 de Maio)

“Russendisko”, de Wladimir Kaminer (Cavalo de Ferro)
O nome deriva de uma famosa discoteca de Berlim, montada pelo autor, um imigrante russo, e por um amigo. Kaminer apresenta-nos 50 pequenas histórias em 121 páginas, a partir das experiências vividas na Alemanha, a partir de 1990, por si e pela sua família. Narrador e autor são, portanto, a mesma pessoa. Foi escrito em alemão em 2000, apenas dez anos depois de Kaminer ter começado a aprender a língua. Teve sucesso estrondoso no mercado germânico.

“Inverno Mágico”, de António Pinelo Tiza (Ésquilo)
Com o pós-título “Ritos e Mistérios Transmontanos”, o documento é um contributo importante para o registo das manifestações populares no Nordeste português. Como o livro é uma das boas formas de perpetuar o que pode estar em risco de extinção, o autor, profundo conhecedor dos costumes e práticas da região, dedicou muitos anos da sua vida ao estudo minucioso do folclore de Trás-os-Montes.

“Este Lado para Cima”, de Holly Fox (Temas e Debates)
Uma comédia escrita por Elizabeth McGregor sob o pseudónimo de Holly Fox. Quatro mulheres, de mundos diferentes – uma executiva de uma cadeia de televisão e escritora sem sucesso, uma jornalista, uma dona de um refúgio de aves e uma aristocrata falida – encontram-se por acidente para causar o casos nas vidas de cada uma.

“Ensina-me a Namorar”, de António Garcia Barreto (Campo das Letras)
Um romance em 29 e-mails. Original, com uma linguagem experimentada, bem escrito. “Ensina-me a Namorar” é o terceiro romance do premiado António Garcia Barreto, que tem dedicado grande parte da carreira literária à literatura infantil. Lê-se num ápice.

“Reencontro com o Passado”, de Patricia Tyrrell (Civilização)
Editado inicialmente com o título “Bones in the Womb” (Ossos no Útero) e com um número de cópias reduzido, “Reencontro com o Passado” chegou há pouco tempo a Portugal. Uma rapariga de três anos é raptada por um sem-abrigo alcoólico, que, doze anos depois, a tenta devolver aos pais por não suportar viver em consciência com um crime cometido por ela. Mãe e filha vão ter de aprender a conhecer-se.

“O Osso Côncavo e Outros Poemas”, de Luís Carlos Patraquim (Caminho)
“Há nos teus olhos/a tristeza dum rosto/alagado de demora/um silêncio d’amoras/e a cor nos lábios/por florir//há um rio de ir/sangue/tragicomer de riso/o mangue”. O moçambicano Luís Carlos Patraquim lançou a sua antologia poética, com algumas raridades. Um livro indispensável para os amantes do género, ainda recheado com o exotismo do português de África.

terça-feira, maio 03, 2005

É possível ser mais forte que o mar

Um peixe, a solidão do mar, uma doença mortal. A luta pela sobrevivência. O velho Santiago lança-se ao alto mar, em redor de Havana, Cuba, para provar aos mais jovens que, depois de 84 dias sem pescar qualquer peixe, ainda tem o instinto e a perícia necessários para não voltar com a proa vazia. Com uma nova isca, feita por um jovem amigo, o aprendiz e antigo companheiro de pesca Manolín, prepara-se para capturar um peixe-recorde, com mais de cinco metros de comprimento.

A luta entre Santiago – que durante este tempo se alimenta do que consegue apanhar – e o peixe testa os limites de resistência de ambos. Mas, finalmente, o velho pescador é bem sucedido. Amarra o espécime ao barco e viaja para terra. Santiago está disposto a mostrar a todos que ainda está vivo, que ainda consegue ser bom na sua profissão. “A vela fora remendada em vários pontos com velhos sacos de farinha e, assim enrolada, parecia a bandeira de uma derrota permanente”, começa Hemingway o seu relato poético, em jeito de profecia.

O pescador, cansado e esfomeado, ainda não ganhou a guerra. Mais pesada e depois de arrastada para uma rota desconhecida, a embarcação está mais lenta na viagem de regresso. Atraídos pelo sangue da conquista de Santiago, os tubarões atacam à vez, transformando o peixe em esqueleto. O velho vai ganhando batalhas, mas sabe que a derrota é iminente. Porque o sangue atrai mais e mais tubarões vorazes.

Esgotado, Santiago chega à praia de onde partiu. Quebrado por dentro, depois de cuspir um líquido estranho. Vai para o pobre casebre onde vive, derrotado. Com o amanhecer, outros pescadores vêem o barco atracado, com o esqueleto do peixe amarrado num dos lados. O comprimento do peixe traz ao velho a admiração de todos.

“O Velho e o Mar”, publicado em 1952, garantiu a Ernest Hemingway o prémio Pulitzer. Dois anos mais tarde, o escritor norte-americano recebeu o Nobel da Literatura. Grande clássico da ficção contemporânea, é um dos livros que nos fica para sempre. Que nunca esquecemos. Uma obra perfeita em todos os seus momentos. Que podemos interpretar de maneira diferente. Talvez por isso, foi agora reeditado pela Livros do Brasil. Em boa hora, para quem nunca o leu.

segunda-feira, maio 02, 2005

Sugestões de leituras (de 30 de Abril a 6 de Maio)

“O Atentado”, de Henry Porter (Ulisseia)
Um livro de espionagem e terrorismo, recheado de “twists”, que proporciona uma leitura entusiasmada e vertiginosa. O conselheiro do presidente dos Estados Unidos para a segurança desembarca em Heathrow, Londres, para uma reunião de emergência com o primeiro-ministro britânico. Pouco depois, numa perseguição automobilística, é atingido por um tiro e morre. “O Atentado” é a demonstração dos conhecimentos de Henry Porter sobre o mundo da espionagem.

“A Imperatriz Orquídea”, de Anchee Min (Teorema)
Dinastia Ch’ing, no século XIX. A vida de Dowager Tsu His, a imperatriz Orquídea, uma mulher que chega à “Cidade Proibida”, o palácio imperial da China, para ser concubina ou esposa do imperador e acaba por se tornar o rosto do poder durante mais de quatro décadas. A única das sete companheiras do imperador a gerar descendência, torna-se regente depois da sua morte. Um livro que transforma a aura de uma das personagens-demónio da história chinesa.

“Malina”, de Ingeborg Bachmann (Edições 70)
Lindíssimo em estilo, talvez algo vazio em conteúdo, mas imprescindível. A narradora, “Eu”, vive com um homem, de sobrenome Malina, e envolve-se com outro, Ivan. O célebre triângulo amoroso. Um livro autobiográfico, o único publicado em vida pela alemã e primeiro de uma série deixada incompleta. Escrito precisamente quando se gritava pela afirmação feminina, “Malina” é um relato do que podem os homens fazer às mulheres. Obra-prima.

“O Jardim de Cimento”, de Ian McEwan (Gradiva)
O livro que deu razão ao filme, com o mesmo nome, de Andrew Birkin, argumentista de “O Nome da Rosa”. Uma prosa calma, precisa e sensual, por vezes mórbida, de um best-seller inglês. Publicado originalmente em 1978, quatro crianças enterram a mãe falecida na cave da própria casa. Órfãs, tentam sobreviver apenas com a ajuda uma das outras, num mundo por vezes claustrofóbico. Uma obra perturbante, mas nunca irreal.

“Geometria Variável”, de Nuno Júdice (D. Quixote)
“Leio o amor no livro/da tua pele, demoro-me em cada/sílaba, no sulco macio/das vogais, num breve obstáculo/de consoantes, em que os meus dedos/penetram, até chegarem/ao fundo dos sentidos”. Uma poesia heterogénea, variável, transportada para livro. A homogeneidade alinhada pelo que tem de melhor dar-lhe-ia o estatuto de livro brilhante.