quinta-feira, março 31, 2005

Uma Londres dividida de alto a baixo

E se lhe dissessem que uma das mais conhecidas cidades da Europa está dividida ao meio? Bem, Berlim também esteve, não seria nada do outro mundo. Mas e se não fosse ao meio num plano horizontal, mas sim vertical? Se lhe dissessem que existe uma Londres-de-Cima e uma Londres-de-Baixo, acreditaria? Um Londres real e uma Londres no submundo, esquecida entre as linhas de metropolitano? Neil Gaiman parte deste conceito para criar um romance onde a ficção mais próxima da realidade se confunde com outra, a caminhar para o fantástico.

Door cai aos pés de Richard, que caminha ao lado da noiva, Jessica, pela cidade, rumo a um jantar importante. O encontro com essa rapariga em fuga, que possui a estranha habilidade para abrir portas mesmo onde não existem, transporta-o para outra dimensão. Um mundo onde há gente que-fala-com-ratos, anjos, uma chave guardada por monges e duas personagens maléficas – Mr. Croup e Mr. Vandemar –, que matam a cada esquina.

Door procura o autor moral da morte de toda a família, sabendo, por intuição, que Croup e Vandemar foram os autores materiais. Richard vê o seu mundo mudar, sem ninguém que o reconheça, inclusive Jessica, e sem dinheiro e a vida habitual, após o contacto com a estranha rapariga ferida.

Entre o sorriso e o arrepio
“Neverwhere – Na Terra do Nada”, editado em Portugal pela Presença, é um livro bem conseguido. Divertido. Por vezes, aterrorizador. Tão aterrorizador como Croup e Vandemar podem ser na escuridão dos túneis. O grupo improvável – Richard, um campónio que veio trabalhar para a cidade; Door, uma rapariga com poderes telecinéticos; um marquês, De Carabas, com sete vidas; e uma “amazona”, a que chamam Caçador, contratada como segurança de Door – tenta devolver a chave a um anjo.

O segredo de Gaiman é conseguir manter sempre ténue a fronteira entre a ficção-realidade e a ficção-fantasia. Ao segurar com rédeas firmes a imaginação, o autor mantém o leitor agarrado à terra numa história sobre um mundo irreal.
(by Luís Mateus)

quarta-feira, março 30, 2005

Matar pode ou não dar felicidade?

“O Dia em que Matei o Meu Pai” é o romance de estreia de Mario Sabino, editor-executivo da revista “Veja”. Um livro que quer perturbar...

“’Venham-me prender. Matei o meu pai’, e desliguei o telefone”. O dia-a-dia de um assassino - com um livro chamado “Futuro”, escrito pelo próprio e transformado parêntesis no meio da trama - até ao dia do crime. Uma confissão relatada no divã de uma psicóloga, a quem se tenta impressionar. A procura de uma justificação para um disfarçado complexo de Édipo, para a força encontrada antes de desferir duas pauladas no cocuruto do progenitor. Um parricídio, contado de forma fria, quase factual, pelo filho humilhado. É assim “O Dia em que Matei o meu Pai”, do jornalista brasileiro Mario Sabino.

O assassino, que se salvou da prisão por alegada demência, procura com ajuda psicológica encontrar ele próprio as razões que o levaram a matar o pai. Ou talvez já as conheça e as viagens mentais feitas na companhia da analista sirvam apenas para alimentar o seu alter-ego. Talvez nem tudo seja verdade, como ele próprio admite depois de algumas divagações. O monólogo - será que a médica está mesmo presente enquanto relata a sua história? - continua, no entanto, por um mundo estranho, escuro e por vezes inquietante. O discurso divaga entre filosofias de vida.

Dois livros paralelos
O livro introduzido a meio do romance traz outra história, paralela. “Futuro” também trata de perversão e de morte. É outra história, também sombria, dentro da trama principal. A mente de um assassino em jeito de romance. Uma viagem diferente, ficção dentro ficção. O mesmo tema, com causas diferentes e finais semelhantes.

O escritor diz, em jeito de conclusão, em jeito de aviso aos leitores portugueses, que a boa literatura é movida pela infelicidade. E o parricida é um filho infeliz. Um marido infeliz. A soma de negativos dá, inevitavelmente, um assassino feliz.
(by Luís Mateus)

terça-feira, março 29, 2005

"Voices of Love – The Most Beautiful Voices of All Time"

Uma colectânea é sempre suspeita. Falta sempre alguém ou alguma canção predilecta. De repente, lembramo-nos dos sussurros de Carla Bruni em “Raphael” ou em qualquer das outras canções de “Quelqu’un m’a dit”, de Julie London em “Cry me a River”, de Lisa Ekdahl em “When Did you Leave Heaven” ou de Nina Simone, nas fantásticas mudanças de ritmo através das canções de “The Tomatoe Collection”. Isto só no lado feminino. Mas, ao que tudo indica, se olharmos para outras compilações do mesmo género, “Voices of Love” foi feito para ser apenas o número um de uma série de CD sobre o tema. Por isso, não se levantem já suspeitas.

Não se pode dizer que este conjunto de faixas dedicado à voz e a um dos temas predilectos dos cantores, o amor, seja pouco inteligente. Com “Love” de John Lennon e “Against all Odds” de Phil Collins parte-se do passado para um presente bem representado por Damien Rice (“Cannonball”) e Joss Stone (“Security”). Depois, há as vozes inconfundíveis de Madonna, Sinéad O’Connor, Tina Turner e Ray Charles pata reforçar essa ponte entre hinos e outros temas que o podem ser em breve.
(by Luís Mateus)

Tudo sobre... Nevermind

O grunge nasce e poderá ter morrido com os Nirvana. Nasce e perde fulgor depois de um primeiro álbum: “Nevermind”. Nasce e morre com o suicídio de Kurt Cobain, o vocalista, três anos depois. Em 1991, Michael Jackson é destronado pelo polémico vinil de capa azul, com um bebé a nadar atrás de uma nota de dólar, no top norte-americano. A banda, nada e criada em Seattle, alcança um sucesso inesperado.

Este DVD mostra como foi feito o álbum que mudou a face do rock mundial. A energia de Cobain, o condicionamento das letras em relação à música e o trabalho em estúdio estão documentados em tempo a menos para quem tem os Nirvana na prateleira das melhores bandas de todos os tempos, mas em 45 minutos suficientes para quem apenas os quer conhecer melhor.

Os extras também deixam algo a desejar. Para além de uma versão ao vivo de um dos hinos da banda – Polly –, apenas existe o “making of” do vídeo de “Smells Like Teen Spirit”, a explicação para a capa e escassos minutos sobre o ingresso do baterista Dave Grohl na banda e sobre a viagem, de avanços e recuos literais no automóvel de Kurt, até Los Angeles, para a gravação do disco.

Butch Vig, o produtor de “Nevermind”, revela em frente da mesa de mistura os efeitos que criou, por vezes contra a opinião de Cobain, para que o álbum tivesse saído tão bom. Denuncia-se ainda a razão para a decisão do vocalista em acabar com a vida, no mês de Abril de 1994, com um tiro de caçadeira e três vezes a quantidade mortal de heroína no sangue: ele, que a tantos jovens chegara através do seu discurso crítico para com a sociedade, à qual nunca se adaptara, apercebera-se de que o sucesso não lhe trouxera as razões para continuar a sobreviver.

O DVD viaja através de “Nevermind” e não pelo mundo dos Nirvana. Isso está defendido até no próprio título e pós-título: “a autorizada história do álbum”. Para os verdadeiros fãs, falta o resto.
(by Luís Mateus)

Uma das grandes "chapas" do ano


(Foto de Martin Zabala/Efe)

12 Dezembro de 2004. Os adeptos do Newell's Old Boys festejam a conquista do Torneio Apertura da Argentina, depois de uma derrota frente ao Independiente (2-0). A foto ganhou o terceiro prémio de fotojornalismo do ano nos Estados Unidos. Ser jornalista é isto mesmo. É para isto que servem os clichés...
(by Luís Mateus)

domingo, março 27, 2005

Guerreia, filho, guerreia... Tu gostas disso, não é filho?!

As palavras de shô Scolari antes do jogo fizeram com que se tivesse perdido o interesse em relação ao dito. Não imediatamente, mas durante. O que se viu em campo, foi muita luta e pouquíssimo futebol, claro. Muita guerra. "Quem vem à Selecção e não meter o pé, não volta mais", avisou o chefão. Meteu-se o pé, claro. E a bola não gostou, como se fosse daquelas que se vende em brinde-surpresa de 1 euro às portas de papelarias e cafés.

Bem, é o Felipão, de que estavam à espera? Se ele tivesse dito: "Queremos ganhar porque nos dá moral. E jogar bem, com combinações alinhavadas nos treinos, livres combinados e algumas surpresas... Se ganharmos melhor, se não não há problema. Há coisas mais importantes do que os golos!"... Sim, eu sei que ele nunca o diria. Mas, reitero, se o tivesse dito não seria Scolari, mas um treinador.

(Nesta fase, vão começar os insultos: "Lá estão a dizer mal do homem", "Ele disse o que tinha de dizer, os jogadores não querem fazer nenhum..." ou "Se fosse português nunca diriam isto").

Azar! O modelo que vingou na Selecção no Euro foi o de Mourinho e não o de Scolari. A desculpa de que não tinha razões para alterar o onze até à derrota inaugural com a Grécia não pega... Quantos finalistas Portugal ganhou na rota para o Europeu? Alô?O Portugal-Canadá foi em 90/95 por cento uma perda de tempo (os jogadores não o sabiam?). Ficámos mais contentes porque provámos que conseguimos bater uma equipa onde Fernando Aguiar era titular aqui há uns anos? Conseguimos garantir que continuamos tão goleadores como nos tempos recentes dos 7-1 à Rússia ou dos 5-0 ao Luxemburgo? Provámos que Quim não é mau na baliza? Que ao lutarmos muito ganhamos sempre? Alguém duvida de que lutar muito e lutar desde cedo faz crescer? Alguém duvida de que quanto mais se corre e carrinhos se faz menos discernimento para jogar à bola se tem?

Os 5/10 por cento que faltam para que tenha sido uma perda de tempo explicam-se com o nome de Manuel Fernandes (que provou já ter maturidade para jogar nos AA) e para Postiga recuperar o sentido de baliza.

(by Luís Mateus)

quinta-feira, março 24, 2005

Sugestões de leituras (de 24 a 31 de Março)

A Guardiã dos Sonhos, de Rani Manicka (Asa)
Um poderoso e bem trabalhado romance, que transporta os leitores até às paisagens, costumes e delícias culinárias da Malásia. As histórias de quatro gerações de mulheres são contadas por Rani Manicka neste seu primeiro livro, que junta os sentimentos de perda, amor e traição num cenário exótico, cheio de deuses, fantasmas e magia. Complexo e intenso.

Néctar, de Lily Prior (Bizâncio)
Uma sátira, enquadrada naquilo que praticamente se tornou uma corrente literária: o realismo mágico. Lily Prior conta a história de Ramona Drottoveo, uma mulher sensual, devoradora de homens, expulsa do paraíso até conseguir seduzir um apicultor que sempre a rejeitou. “Néctar” propõe ser um livro divertido, sensual, capaz de entreter e fazer rir durante mais de 200 páginas.

Máscaras de Matar, de León Arsenal (Presença)
Uma máscara maligna desaparecida volta para espalhar ainda mais violência no terror diário de um povo, os Seis Dedos. A morte e o traço realista na descrição das batalhas são constantes neste livro, que venceu o prémio internacional Minotauro, que se dedica à ficção científica e literatura fantástica.

O Dia em que Matei o Meu Pai, de Mário Sabino (Saída de Emergência)
Uma narrativa rápida, que se devora de uma só vez. O assassino conta a uma psicóloga como e por que matou o seu pai, invocando uma série de ideias religiosas e filosóficas, verdades e mentiras. A estreia em ficção do brasileiro Mário Sabino, editor-executivo da revista “Veja”.

O Caso da Rua Direita, de Carlos Ademar (Oficina do Livro)
A ficção que podia ser realidade. O investigador criminal da Polícia Judiciária, Carlos Ademar, faz neste livro um relato do que é normalmente o quotidiano de quem persegue criminosos. Uma viagem num mundo desconhecido...

Madame Sadayakko, de Lesley Downer (Bertrand)
Uma excelente biografia, resultante de uma pesquisa apurada, com uma excelente estrutura e escrita de forma a cativar o leitor. A história de uma gueixa, a primeira a viajar à volta do mundo, a tornar-se actriz no ocidente sem conseguir falar uma palavra de inglês. Foi aclamada, conheceu monarcas e artistas. E, por isso, ficou com tanto para contar, através de Lesley Downer.

Marta e Maria, de Mousette Braga (Ariadne)
Um livro que se lê de um trago. Uma poesia que não se lamenta, que rima pensamentos e ideias, e vai além da emotividade. Uma poesia de alguém que tem opiniões, caminhos diferentes. Um olhar feminino, em verso, para a vida que nos rodeia.
(by Luís Mateus)

quarta-feira, março 23, 2005

Ciência e religião em guerra total


“Anjos e Demónios”. É o último romance de Dan Brown a ser editado em Portugal, apesar de ter sido escrito antes de o “Código Da Vinci”, o livro que surpreendeu o mundo em 2004. Uma antiga irmandade secreta regressa à actividade para ameaçar de aniquilação o Vaticano, reunido para o Conclave de eleição do novo Papa. Uma experiência científica para provar a existência de Deus resulta numa arma de destruição maciça, a antimatéria. Os Illuminati, representantes do mundo científico, querem vingar-se das perseguições da Igreja no passado.

Robert Langdon é um especialista em simbologia religiosa chamado de urgência ao mais avançado centro de investigação científica devido a uma morte misteriosa. O ambigrama (uma palavra que se lê da mesma forma mesmo que seja invertida) Illuminati tinha sido queimado no peito de um cientista. Na companhia da filha da vítima, Robert parte na descoberta do antigo “Caminho da Iluminação” – os candidatos a membros da irmandade tinham de descobrir um caminho secreto pela cidade de Roma – a partir de um documento de Galileu.

Cinco horas para salvar a Igreja

Um Hashassin (assassino árabe que festejava as mortes com o consumo de haxixe) é contratado por Janus, o homem que se propõe erradicar a Igreja Católica do planeta. Os quatro cardeais preferidos para a sucessão ao papa morto são raptados e serão assassinados de hora a hora, junto a cada um dos quatro elementos do “Caminho da Iluminação”. A antimatéria está a horas de tornar o país mais pequeno do mundo num vazio entre fronteiras. Robert e Vittoria têm cinco horas para o impedir.

Capítulos pequenos dão origem a uma leitura rápida, sem grandes pausas para figuras de estilo como elipses ou para descrições extensas e complexas. As mais de 500 páginas são desbravadas mais rapidamente do que o esperado, o livro torna-se um filme com intervalos, ao qual se regressa sempre com o mesmo interesse. “Anjos e Demónios” não entusiasma pelo barroquismo da escrita, mas pela aura de expectativa criada pelo discurso linear de Dan Brown, que aumenta com a evolução da trama. Apesar de algumas pistas denunciarem “twists” na evolução da história, Brown consegue evitar a clarividência total do leitor antes da altura certa. Até o final lembra um filme. Norte-americano. De final feliz, claro.

Uma analogia simples em jeito de conclusão: quem gostou de “Código Da Vinci” vai gostar de “Anjos e Demónios”.

(by Luís Mateus)

segunda-feira, março 21, 2005

O alarme silencioso



"Silent Alarm" é um álbum puro. Foi feito sem vaidades, é ambicioso e consistente. Com semelhanças e diferenças em relação a "Elephant", dos White Stripes, "Franz Ferdinand", dos Franz Ferdinand e "Is this it", dos Strokes. Energia a rodos, guitarras estridentes e uma voz surpreendentemente baixa, capaz de gritar e murmurar.

Bloc Party edita em Portugal um CD estudado ao pormenor, da primeira à última faixa. Não vêm aí músicas para criar ambiente, mas para dançar, acompanhar com a voz e com os braços. Não é banda sonora para bares onde se conversa e faz sala.

O álbum está perto do lançamento em Portugal. Não terá certamente a publicidade de outros e traz atrás de si o movimento do novo rock, do rock alternativo. Uma transformação genética que garante a sobrevivência do velhinho estilo musical.
(by Luís Mateus)

Naomi

"The Ring 2" está perto da estreia em Portugal. No elenco, figura a excelente Naomi Watts. A brilhante interpretação em "Mulholland Drive", de David Lynch, colocou-a entre as grandes estrelas do cinema. E justamente, claro. Depois, veio "21 Gramas" e todos se renderam.

Não sei se este filme de continuação é bom ou mau, não sei sequer se Naomi tem um bom texto para ler. Mas não me importo nada de pagar o bilhete para o confirmar.


(by Luís Mateus)

Como ser triste com palavras doces

Vinte anos depois. Finalmente. A melancolia das palavras do japonês Haruki Murakami pode finalmente ser admirada em Portugal. Uma obra-prima (“Norwegian Wood”, Civilização Editora) e um livro “para recomeçar” (“Sputnik, Meu Amor”, Editorial Notícias) estão finalmente disponíveis. Foram lançados ao mesmo tempo e a primeira nota a sublinhar-se é uma pergunta: por que demoraram tanto tempo a chegar cá?

Os capítulos devoram-se num ápice. Murakami tem esse dom. Fazer com que o tempo passe sem que se coloque a hipótese de fazer uma pausa. Partindo dos mesmos temas – a solidão, o amor impossível, as lutas interiores – o japonês criou dois livros diferentes, mas com inúmeras pontes de ligação. “Norwegian Wood” é um livro intenso e sensual, que não abandona o leitor mesmo depois de se virar a última página. As palavras são pensadas para tocar fundo na alma. A partir de uma canção dos Beatles nasce um triângulo de amor.

“Tive uma vez uma mulher,/ou será que devo dizer/que foi ela que me teve?/Mostrou-me o seu quarto,/não é bom?/Norwegian Wood (bosque norueguês)/(…) e quando acordei/estava sozinho,/este pássaro voou,/então acendi um cigarro,/não é bom?/Norwegian Wood.” É assim que começa e acaba a canção dos Beatles. E é assim que começa o livro de Murakami. É nesta solidão que três personagens (Toru Watanabe – o narrador -, Naoko e Midori) se debatem com a vida e a morte.

O aperitivo e a obra-prima

“Sputnik, Meu Amor” é um livro de um escritor maduro. Linear, simples, mas belo ao mesmo tempo. Capaz de comover também. Mais um triângulo: o narrador gosta da irreverente Sumire, que, por sua vez, se apaixona pela mais velha Miu. O título da obra explica-se nos primeiros capítulos: Miu não conhece o movimento literário “beatnik” e confunde-o com o satélite. A partir daí, a charmosa coreana toma o epíteto de “Sputnik, meu amor”.

As personagens de Murakami confundem-se entre livros: os dois narradores, Miu e Reiko, que estudaram piano na infância e tiveram de abandonar a prática, as irreverentes Sumire e Midori). “Sputnik, Meu Amor”, paradoxalmente por ter sido o último a ser escrito, é um excelente aperitivo para “Norwegian Wood”. E este último vale muito a pena.


(by Luís Mateus)

sexta-feira, março 18, 2005

Uma legião para exterminar o mundo

Fecha-se o livro, olha-se no vazio. As imagens da última página persistem ainda com o esfregar das pálpebras. Uma frase – “Eu sou legião” – ainda ecoa quando se olha para a contracapa. Ainda treme na vista, perante a avalanche de acontecimentos, pelo desabar de encontros, pela esperada (sim, esperada) sucessão de fins que se tornam um. Três histórias, Bogotá como centro do pecado, como antro de um anjo exterminador que chega para expiar os males do mundo. Três histórias, independentes e subitamente alinhavadas, unidas, intensas.

Um pintor (Andrés) que pinta um futuro terrível em auto-retratos, um padre (Ernesto) com vocação, mas sem imunidade às tentações das mulheres, uma jovem (Maria) que abandona uma vida de amarguras para enganar homens ricos. O realismo puro em cada frase, uma miúda possuída pelo Demo que lembra Linda Blair do “Exorcista” de William Friedkin (1973), as histórias em avanços paralelos nos capítulos. O embalar para uma leitura febril. A consciência de que se está perante algo único, que não se quer deixar, pousar na mesinha de cabeceira, mas sim dar a mão às palavras até às últimas consequências. Sejam elas quais forem.

É assim “Satanás”. Uma surpresa da Temas e Debates para o início do ano, um dos melhores livros lançados em Portugal nos últimos meses. O nome não inspira a compra, a capa não tem as cores da moda. Não se vê nas montras das livrarias. Como se fosse uma obra marginal, incómoda, esquecida propositadamente pelos espaços comerciais. Mas vale a pena encomendá-lo, pedi-lo por catálogo, perguntar por ele numa feira do livro. Vale a pena porque sim. Porque o colombiano Mario Mendoza já é considerado um dos grandes nomes da literatura sul-americana, digno sucessor dos compatriotas Carlos Fuentes e Gabriel García Márquez. Porque o livro é realmente bom. Como se faltasse um pouco para ser grandioso, mas merecendo estar na primeira fila da biblioteca lá de casa.

É um livro que não se deve ler sozinho. Porque se gosta ou pode detestar-se. Porque mexe connosco. E esse é o melhor elogio que lhe pode ser feito.
(by Luís Mateus)

quarta-feira, março 16, 2005

Sugestões de leituras (de 16 a 23 de Março)

"Khadji-Murat", de Lev Tolstoi (Cavalo de Ferro)
O último livro do autor de “Guerra e Paz”, deixado por terminar segundo o mesmo, narra a história do mais famoso guerreiro checheno, Khadji-Murat. Sem a complexidade de acções e personagens do mais célebre romance de Tolstoi, já aqui referido, esta obra saiu ao caminho literário do escritor como mais uma reflexão sobre as ligações entre o poder, a violência e a corrupção. Murat tem um plano, acabar com a lei dos mais fortes.

"O Porteiro de Pilatos", de Jean d’Ormesson (Europa-América)
Tem como pós-título “O Segredo do Judeu Errante” e é sobre o que um sapateiro judeu chamado Ahasvérus, condenado pela dureza de coração a errar pela terra até ao Dia do Julgamento Final – a lenda conta que terá recusado um copo de água a Cristo –, tem para contar. Um casal encontra-o em Veneza e ele conta-lhes a sua visão da história do mundo desde a invasão romana da Palestina até esse dia. Um bom romance, apesar de algo confuso nos primeiros capítulos devido à quantidade de histórias paralelas. Está anunciado como o “mistério de Jesus que o Código Da Vinci não revela”.

"O Interior", de Lisa See (Livros do Brasil)
Um livro sobre as boas intenções e como estas podem ser corrompidas. Sequela de “Flower Net” (não publicado em Portugal), mas com vida independente, “O Interior” relata os esforços de Liu Hulan e David Stark em desvendar uma série de crimes cometidos em Los Angeles e Pequim e em acabar uma fraude de proporções gigantescas. Os costumes chineses do passado e do presente dão um cenário exótico à série de mortes habitual nas obras policiais.

"Os Olhos do Homem que Chorava no Rio", de Ana Paula Tavares e Manuel Jorge Marmelo (Caminho)
“A primeira luz da manhã entra no quarto. Não chega ténue, não pede licença. Invade, amarela e diáfana, a nesga livre deixada pelas coisas sólidas da natureza. Recorta-se no chão, traça um espaço luminoso de geometria vaga – e aí nasce o corpo inaugural, bonito e firme, iluminado de frente, quase irreal”. É assim que começa o último romance editado pela Caminho. Brasil, Portugal e Angola numa mistura feliz de cheiros, sabores, imagens, pessoas e palavras.

"Desconseguiram Angola", de António Valis (Celta Editora)
“Um sonho perdido, um pesadelo fútil ou uma loucura portátil”. É aviso da nota introdutória, antes de se virar a primeira página, antes do mergulho às profundezas de uma Angola marcada em tudo pela guerra. Entre linhas, as pessoas, a terra, os sentimentos, a vida... Questões sobre o carácter humano e a tendência de auto-destruição.
(by Luís Mateus)

terça-feira, março 15, 2005

O melhor 10

O melhor número 10 do futebol mundial mora no Milan. Bem, isto não é novo. Vou começar outra vez. O grande jogador dos próximos anos é treinado por um técnico mediano chamado Ancelotti. Bem, voltei a falhar. Não me interessa, vou correr o risco do plágio, dizer o que outros disseram, fazendo meu - como qualquer bom escritor de há séculos - o que os outros inventaram.

O golo de Kaká à "Samp" aumenta as fronteiras do que é um número 10. De cabeça, após cruzamento da direita, bola colocada junto ao poste. Um golo à ponta-de-lança, metros à frente de onde devia andar o habitual "fantasista" de uma equipa. Um golo à Crespo, à Shevchenko, à Tomasson, agora à Kaká. O brasileiro, a exemplo do que fazia Zidane na selecção francesa, é muitas vezes criador e finalizador. Talvez porque Rui Costa agora é compatível - tanto tempo depois Ancelotti percebeu - com o seu talento. Apesar de ser o fã número 3 ou 4 de Rui Costa (deixo os dois primeiros lugares da aficción para quem o elogia há mais tempo) e de o colocar entre os maiores das últimas duas décadas, lembro que o o Rui nunca conseguiria marcar um golo assim...

Percebo por que Mourinho sonha com ele. Percebo por que para Ancelotti é Kaká e mais dez. Percebo por que quando Ronaldinho já não jogar, toda a gente se vai virar para o "rossonero"...

(by Luís Mateus)

segunda-feira, março 14, 2005

Hugo e o tilt

Escrevi há uns meses no Maisfutebol que uma bola nos pés de Hugo fazia "tilt". A expressão foi mesmo esta. Não esperava que agora, num jogo tão importante para o Sporting, o central me desse razão (bem, algum dia tinha de acontecer...).

Aquela escorregadela para o segundo golo do Penafiel até poderia ser acompanhado pela intensidade de Monserrat Cabballe e de Placido Domingo (risquei do libretto o Freddy Mercury) numa área de ópera na banda sonora de um DVD com as maiores broncas de sempre... Ficaria bem. O que me chateia é que ele não merece. Por ser bom profissional, por dar sempre o máximo, por que quando não é amigo dos erros é um exemplo para os companheiros.

Hugo podia lutar pelo título de jogador mais azarado do mundo. É um exagero porque Frank Sinclair foi o rei dos autogolos em Inglaterra e porque quando o Famalicão estava na I divisão morava lá um tal de Celestino. Esses dois serão difíceis de destronar no ranking. Aquele escorregar foi azar, deixem-me dizê-lo, mesmo que não seja verdade nua e crua. Mesmo que pudesse ter feito um milhar de coisas antes de sentir o pé de apoio a deslocar-se no sentido contrário à relva. O problema de Hugo é a imagem. Toda a gente pressente que ele vai falhar mesmo antes de isso acontecer... Lembram-se de Polga em alguns momentos esta época. Foi azar, não foi?

(by Luís Mateus)

quarta-feira, março 09, 2005

Sugestões de leituras (de 9 a 15 de Março)

"Uma Sombra Laranja-Tigre", de Afonso de Melo (D. Quixote)
Uma Índia interpretada e não observada. Uma Índia de hábitos diferentes, onde ao concordar um homem abana para os lados a cabeça como se discordasse. Uma prosa apaixonada de quem adora um país que tantas vezes visitou. A história de Michael Fernandes, que sonha à varanda com uma viagem para Lisboa. Um livro que vale a pena ler, porque em Colva, na Índia, tudo pode acontecer.

"Ainda se Morre em Veneza", de Fernando Lopes (Campo das Letras)
O alemão Thomas Mann, Nobel da Literatura, publicou em 1912 o livro “Morte em Veneza”, uma obra onde transparecia, segundo os críticos, a luta do autor com os seus desejos homossexuais. Muitos anos depois, o barcelense Fernando Lopes edita “Ainda se Morre em Veneza”, uma colectânea de contos sobre o amor. Será que ainda é possível morrer com um coração partido?

"Um Eco Distante", de Val McDermid (Gótica)
A investigação sobre o assassinato de uma jovem reabre 25 anos depois. A escocesa Val McDermid regressa à terra natal para uma história de morte e suspeita, na qual nada é o que parece. “Um Eco Distante” coloca inúmeras questões sobre o lado negro da natureza humana. Um livro para quem não é emocionalmente frágil e não está preocupado com as respostas.

"Don Juan", de Gonzalo Torrente Ballester (Difel)
Publicado em Espanha em 1963, este romance teve pouca atenção por parte de críticos e público. Um dos mitos mais famosos da literatura universal foi aqui recreado pela prosa inigualável de Ballester. Editado pela Relógio d’Água em 1995 e reeditado agora pela Difel, Don Juan, acompanhado pelo fiel criado Leporello, revela quatro séculos de aventuras ao narrador e interlocutor. A personagem está condenada a viver enquanto acreditarem nele. Enquanto lerem este livro Don Juan não poderá morrer.

"A Perna Esquerda de Paris seguido de Roland Barthes e Robert Musil", de Gonzalo M. Tavares (Relógio d’Água)
A primeira parte do livro, que abre a série Bloom Books, resulta numa reunião de pensamentos dispersos, que moldam a história de Maria Bloom, uma mulher que teima em sobreviver às desgraças. Lêem-se palavras que se montam e desmontam em busca da perfeição, sentem-se temas como a maldade e a luta constante até ao equilíbrio, como “yang” e “ying”, entre o natural e o artificial. As tabelas literárias, ideias e citações à solta, invocadas em Barthes e Musil, fecham a segunda metade da obra.

"Satanás", de Mário Mendoza (Temas e Debates)
Uma Bogotá caótica, auto-destrutiva e apocalíptica é o cenário de um livro sobre a queda de várias personagens ao inferno. A visão violenta de Mário Mendoza, herdeiro de nomes como Carlos Fuentes e Gabriel Garcia Marquez e influenciado com a morte de 20 pessoas, em 1986, às mãos de um colega de faculdade, já lhe valeu o prémio Biblioteca Breve. “Satanás” é um livro pesado. Não é religioso. Não é policial. É apenas uma análise às profundezas da mente humana.(by Luís Mateus)

terça-feira, março 08, 2005

Brrrrb...

Acabou o Chelsea-Barcelona... e sinto-me um puto extasiado a olhar para uma pista de carros arrancada à força da árvore de natal e dos conceitos sádicos de pais que sempre ligaram demasiado a datas e ao verde e vermelho dos semáforos. Faço um movimento infantil com os dedos nos lábios, emito um som que não consigo descrever e grito em voz alta para quem me quiser ouvir: "Thank God it´s Christmas!"
(by Luís Mateus)

quinta-feira, março 03, 2005

Em que equipa jogava Ícaro?

Voar com umas asas com penas de pássaro, coladas a cera, em direcção ao sol não é desafiar os deuses. Talvez a gravidade. A inteligência? Ou melhor, é desafiar os deuses da mesma forma que os irmãos Wright o fizeram. A diferença entre os dois mitos é que o segundo é realidade e o primeiro ficção. E não se pode dizer que Ícaro jogava na equipa dos génios...

Ao desafiar os deuses com a imitação do génio, Postiga foi feliz. O que aconteceu depois deveu-se a ter pensado que já alcançara esse estatuto. O portista chegou perto do sol e o seu alter-ego permaneceu lá em cima, deliciado a olhar para o amarelo-laranja intenso, enquanto o corpo caía dramaticamente e se estatelava como desenho animado. Bip. Bip. Até um surpreendido Narciso se desequilibrou para o lago-espelho à sua frente.

Já Vata foi um pouco diferente. Perguntem a qualquer indonésio que encontrem na rua quem ele era. Depois de uns primeiros segundos a tentarem perceber se estão a falar coreano, todos vão dizer que nunca ouviram falar. Nós os portugueses sabemos quem foi. Pelas boas e más razões. A mão que levou o Marselha ao tapete (foi muito mais rápido que Bernard Tapie, aliás) inscreveu o nome do angolano nos cadernos do futebol português.

O que está em causa não é o desafio dos deuses, mas o desafio da lei. O futebol não é uma tragédia grega, o golo não é a catarse. O castigo deve ser imediato e não por obra e graça de um homem que puxe marionetas. Aconteceu no golo com a mão de Postiga - com o repúdio por parte de adeptos e treinadores ingleses - e no de Bruno Moraes, com o assinalar da falta. É menos romântico, mas ao menos não mete deuses ao barulho. Quanto a Maradona, esqueçam tudo o que disse neste parágrafo. Aliás, como jogador foi mesmo inclassificável.

As histórias de Postiga e Vata apenas provam que a História nunca foi uma linha recta. Maradona provou no campo, frente à mesma Inglaterra, que a sua vida era um slalom gigante.

P.S. Não confundir Ícaro com Ico, antigo jogador de V. Setúbal e Boavista.
(by Luís Mateus)

quarta-feira, março 02, 2005

O erro fatal

Ontem estava a praticar os meus dotes de futebolista num simulador, quando o meu número 10 usou todos os seus músculos para uma carga de ombro sobre um adversário. Logo a seguir, pasme-se, o ecrã ficou azul com a seguinte mensagem:

"Foi encontrado um erro fatal no programa que estava a correr. Foi-lhe instaurado um processo sumaríssimo. Deseja reenviar esta mensagem para o fabricante?"

Como bom português que sou, cancelei. Ainda o castigo é aumentado...
(by Luís Mateus)

O chip (III)

Há aqui uma coisa que me intriga: o que o árbitro vai fazer quando o chip ou o aparelho receptor avariar? A linguagem binária deixa de funcionar. Não há um ou zero. Volta o bloqueio. Repete-se o jogo? Fica parado durante 15 minutos até que haja uma solução? Volta-se à decisão humana? Pode o jogo ser protestado depois?Uma coisa parece garantida. Alguém vai ganhar com isto, talvez as empresas fabricantes do maldito chip. Afinal, todas as bolas têm de ter um, não é verdade?

P.S. Qualquer semelhança entre os títulos destes posts e os livros do Milo Manara é pura coincidência.
(by Luís Mateus)

O chip (II)

Depois de colocar on-line o último post, arrependi-me. Chegou-me, talvez por telepatia de um adepto mais preocupado, a seguinte imagem: Um jogador prepara-se para marcar um livre directo. O árbitro aponta para o apito e acena para o quarto árbitro. Nos ecrãs gigantes aparece uma mensagem. "Se quiser que a bola vá para junto do poste direito envie a mensagem escrita 'GOLO DTA' para o número 9989, se quiser que vá para a esquerda escreva 'GOLO ESQ' e envie para o número 9990." A bola descreve um arco e vai para a esquerda do guarda-redes... que se esqueceu do telemóvel nos balneários.

O chip

Anda meio mundo preocupado com o chip que vão enfiar numa bola para facilitar o julgamento do árbitro em situações complicadas. Dizem que vai tirar virtudes ao futebol, etc, etc. Só que eu acho precisamente o contrário: o futebol é que vai desvirtuar o chip. E com um pontapé do Roberto Carlos...(by Luís Mateus)

Bruno, foste apanhado

O miúdo não devia ter imitado o mestre. O guarda-redes não era o Shilton, mas sim Marco Tábuas. Não há antecedentes de guerra entre Setúbal e Braga, como havia entre Inglaterra e Argentina. E Maradona tem (tinha) muito mais jeito para a coisa mesmo a jogar com a mão. Por isso, o golo aos bifes teve muito mais piada...

Mas nisto de imitar o génio, há quem se tenha dado bem. Basta lembrar o penalty picado de Postiga e as comparações com o checo Panenka. Ambos foram felizes. Ambos tiveram pitadas de classe. Aqui, o plágio valeu a pena.
(by Luís Mateus)

terça-feira, março 01, 2005

Sugestões de leituras (de 1 a 8 de Março)

"Os Impostores", de Santiago Gamboa (Asa)
Romance com o Teu Nome, de António Rebordão Navarro (Campo das Letras)
Já à venda desde os finais de 2004, “Romance com o Teu Nome” não foi escrito para ser um “best-seller”. É um relato intimista que se lê devagar, com as emoções desenhadas em cada palavra, nas frases recortadas e reencaixadas entre vírgulas – que permite a Navarro dedicar-se a uma exaustiva análise das personagens - e na complexidade da luta com a saudade acrescentada pela morte.

"O Dia da Tormenta", de Rosamunde Pilcher (Difel)
Leveza e ternura. São os adjectivos que melhor caracterizam os romances da britânica Rosamunde Pilcher. Mais do que uma história de amor, “O Dia da Tormenta” tem como pontos de partida e chegada a complexidade das relações humanas. E a bela Cornualha, terra natal da escritora, é o cenário de fundo.

"Momentos de Paixão", de Auguste Rodin e Rainer Maria Rilke (Relógio d’Água)
“Por metade chamo-te, por metade aparto-te de mim,/para não perturbar o belo encantamento;/ao escutar-te os pulsos, digo-me:/não estarás aqui?”. Poemas de Rilke para as aguarelas de Rodin. Versos que rimam com imagens. O poeta tornou-se melhor poeta quando foi secretário do escultor. Estudou a sua obra e o resultado vê-se neste livro: sensualidade em estado puro.

"Almas Antigas", de Tom Shroder (Pergaminho)
Um dos temas de sempre da humanidade: a vida depois da morte através da reencarnação. Shroder, um editor do “Washington Post”, acompanhou o psiquiatra Ian Stevenson num estudo de seis meses no Líbano, na Índia e no continente americano. O resultado é este livro, que se pretende “uma prova científica das vidas passadas”.

"Uma Outra Pessoa", de Tonino Benacquista (Gradiva)
Uma tarde, dois desconhecidos jogam ténis, o que os faz recordar os melhores momentos da juventude. Mais tarde, num bar, falam do que podiam ter sido se tivessem seguido outro caminho. Presos em vidas medíocres que nunca desejaram, Nicolas e Thierry ganham a coragem para se tornarem, por vias diferentes e dolorosas, pessoas mais próximas da personalidade que possuem. Sem grande complexidade de linguagem, é a trama que apaixona os leitores.

"Moralidade e Raparigas Bonitas", de Alexander McCall Smith (Presença)
Terceiro volume de uma série que engloba ainda “A Agência nº1 de Mulheres Detectives” e “As Lágrimas da Girafa”. Uma detective do Botswana prepara-se para desvendar uma série de crimes num relato linear e entusiasmante.
(by Luís Mateus)