segunda-feira, maio 02, 2005

Sugestões de leituras (de 30 de Abril a 6 de Maio)

“O Atentado”, de Henry Porter (Ulisseia)
Um livro de espionagem e terrorismo, recheado de “twists”, que proporciona uma leitura entusiasmada e vertiginosa. O conselheiro do presidente dos Estados Unidos para a segurança desembarca em Heathrow, Londres, para uma reunião de emergência com o primeiro-ministro britânico. Pouco depois, numa perseguição automobilística, é atingido por um tiro e morre. “O Atentado” é a demonstração dos conhecimentos de Henry Porter sobre o mundo da espionagem.

“A Imperatriz Orquídea”, de Anchee Min (Teorema)
Dinastia Ch’ing, no século XIX. A vida de Dowager Tsu His, a imperatriz Orquídea, uma mulher que chega à “Cidade Proibida”, o palácio imperial da China, para ser concubina ou esposa do imperador e acaba por se tornar o rosto do poder durante mais de quatro décadas. A única das sete companheiras do imperador a gerar descendência, torna-se regente depois da sua morte. Um livro que transforma a aura de uma das personagens-demónio da história chinesa.

“Malina”, de Ingeborg Bachmann (Edições 70)
Lindíssimo em estilo, talvez algo vazio em conteúdo, mas imprescindível. A narradora, “Eu”, vive com um homem, de sobrenome Malina, e envolve-se com outro, Ivan. O célebre triângulo amoroso. Um livro autobiográfico, o único publicado em vida pela alemã e primeiro de uma série deixada incompleta. Escrito precisamente quando se gritava pela afirmação feminina, “Malina” é um relato do que podem os homens fazer às mulheres. Obra-prima.

“O Jardim de Cimento”, de Ian McEwan (Gradiva)
O livro que deu razão ao filme, com o mesmo nome, de Andrew Birkin, argumentista de “O Nome da Rosa”. Uma prosa calma, precisa e sensual, por vezes mórbida, de um best-seller inglês. Publicado originalmente em 1978, quatro crianças enterram a mãe falecida na cave da própria casa. Órfãs, tentam sobreviver apenas com a ajuda uma das outras, num mundo por vezes claustrofóbico. Uma obra perturbante, mas nunca irreal.

“Geometria Variável”, de Nuno Júdice (D. Quixote)
“Leio o amor no livro/da tua pele, demoro-me em cada/sílaba, no sulco macio/das vogais, num breve obstáculo/de consoantes, em que os meus dedos/penetram, até chegarem/ao fundo dos sentidos”. Uma poesia heterogénea, variável, transportada para livro. A homogeneidade alinhada pelo que tem de melhor dar-lhe-ia o estatuto de livro brilhante.