sábado, maio 14, 2005

Sugestões de leituras (de 14 a 19 de Maio)

“A Voz Secreta das Mulheres Afegãs – O Suicídio e o Canto”, de Sayd Bahodine Majrouh (Cavalo de Ferro)
“Em segredo ardo, em segredo choro/Sou a mulher pashtun que não pode revelar o seu amor”. Este “landay” – termo que pode ser traduzido para “breve” – simboliza o que é este livro de poemas tradicionais das mulheres do Afeganistão, uma obra contra a repressão, seja esta do poder instituído ou em casa, pelo “horrível pirralho”, o marido. O autor fez a importante recolha antes de ser assassinado no Paquistão, país que escolheu para o exílio. A poetisa Ana Hatherly é a responsável pela tradução, a partir do francês.

“Um Pintor na Corte”, de Sonia Overall (Civilização)
Novela de estreia da escritora inglesa, que nos transporta até ao tempo de Isabel I. Um jovem pintor talentoso acredita que pode fazer parte da corte e tornar-se um dos mais bem sucedidos artistas da sua era. Mas depressa percebe que entrar no meio não é fácil e só com a cumplicidade da bela Kat o consegue. A relação entre os dois torna-se cada vez mais íntima a partir do momento em que Robin Thomas passa a ter os favores da nobreza. “Um Pintor na Corte” é um livro colorido, ou seja: as imagens que nos traz são nítidas, vívidas e belas.

“O Cão na Casa Verde”, de Isabel Millet (Caixotim)
A pintora Paula Rego foi uma das leitoras privilegiadas (e mais entusiasmadas) do romance de Isabel Millet e é sua a ilustração da capa. O livro é inspirado nas memórias de infância da autora, passadas na casa de Guilhermina Suggia. Que era verde. A discípula da célebre violoncelista criou um novo mundo em cima da saudade dos tempos passados na Rua da Alegria, nº 665.

“Mãe e Filha”, de Marianne Fredriksson (Presença)
Katarina é uma jovem arquitecta independente que, quando conta ao companheiro – um americano de passagem na Suécia – que está grávida, não consegue evitar que este a deixe inconsciente e seja obrigada a recuperar numa cama de hospital. Vê-se impelida a pedir ajuda à mãe Elisabeth, ao irmão Olof e à bela irmã Erika. E descobre que o pai também batia na mãe, o que as torna mais próximas e a ajuda a esquecer o passado.

“O Reino Encantado”, de Mário Ventura (Casa das Letras)
Um escritor procura inspiração para um novo livro na investigação de uma história verídica: o mito sebastianista regressara no Brasil em 1838. Um grupo de fanáticos decide suicidar-se para fazer com que o corpo encantado do rei português, que, acreditam, está sepultado algures em Pernambuco, regresse à vida. Uma dádiva de sangue para que o nevoeiro que envolve o monarca o traga de volta.