terça-feira, abril 05, 2005

Ser judeu para o bem e para o mal


(Foto: Lusa)

Uma Mitzváh é um mandamento, uma ordem que se recebe da leitura e interpretação do Pentateuco, o conjunto dos cinco primeiros livros do Antigo Testamento. Para Alain Elkann, uma Mitzváh é sentir-se judeu e fazer com que os outros compreendam o que é sê-lo. O que nunca foi fácil, como conta, com maior ou menor paciência, a história. O seu livro, best-seller internacional, transporta-nos ao difícil mundo da tolerância para os novos costumes, crenças e religiões.

“Ser judeu quer dizer prestar atenção, fazer o melhor possível para garantir alguma certeza a si mesmo e aos outros. Quer dizer saber ser olhado com suspeita, com inveja ou com respeito excessivo, mas de qualquer modo como um perigo. Ser judeu quer dizer ter de defender-se, tentar construir uma força interior para não ser destruído. Ser judeu quer dizer ter a responsabilidade de levar para a frente a cultura de um povo com mais de cinco mil anos de história e que ninguém ainda conseguiu, apesar das muitíssimas tentativas, exterminar, mandar calar.”

“Mitzváh” é um livro sobre uma vida, a do autor. Uma obra sobre a sua tentativa de se integrar num mundo que sempre o olhou com desconfiança. A ele e aos outros. Elkann debate-se ao longo de 59 páginas com as suas filosofias de vida, filosofias de um “judeu errante”, como lhe chamava o pai. Por se sentir em casa em sítios diferentes, por acreditar que o mundo deveria ser apenas um. Por ser diferente dos demais. É um livro filosófico sobre uma causa: viver feliz.
Alain Elkann faz o elogio do que é ser judeu. Do que foi e do que será. Para o bem e para o mal.
(by Luís Mateus)