quarta-feira, março 09, 2005

Sugestões de leituras (de 9 a 15 de Março)

"Uma Sombra Laranja-Tigre", de Afonso de Melo (D. Quixote)
Uma Índia interpretada e não observada. Uma Índia de hábitos diferentes, onde ao concordar um homem abana para os lados a cabeça como se discordasse. Uma prosa apaixonada de quem adora um país que tantas vezes visitou. A história de Michael Fernandes, que sonha à varanda com uma viagem para Lisboa. Um livro que vale a pena ler, porque em Colva, na Índia, tudo pode acontecer.

"Ainda se Morre em Veneza", de Fernando Lopes (Campo das Letras)
O alemão Thomas Mann, Nobel da Literatura, publicou em 1912 o livro “Morte em Veneza”, uma obra onde transparecia, segundo os críticos, a luta do autor com os seus desejos homossexuais. Muitos anos depois, o barcelense Fernando Lopes edita “Ainda se Morre em Veneza”, uma colectânea de contos sobre o amor. Será que ainda é possível morrer com um coração partido?

"Um Eco Distante", de Val McDermid (Gótica)
A investigação sobre o assassinato de uma jovem reabre 25 anos depois. A escocesa Val McDermid regressa à terra natal para uma história de morte e suspeita, na qual nada é o que parece. “Um Eco Distante” coloca inúmeras questões sobre o lado negro da natureza humana. Um livro para quem não é emocionalmente frágil e não está preocupado com as respostas.

"Don Juan", de Gonzalo Torrente Ballester (Difel)
Publicado em Espanha em 1963, este romance teve pouca atenção por parte de críticos e público. Um dos mitos mais famosos da literatura universal foi aqui recreado pela prosa inigualável de Ballester. Editado pela Relógio d’Água em 1995 e reeditado agora pela Difel, Don Juan, acompanhado pelo fiel criado Leporello, revela quatro séculos de aventuras ao narrador e interlocutor. A personagem está condenada a viver enquanto acreditarem nele. Enquanto lerem este livro Don Juan não poderá morrer.

"A Perna Esquerda de Paris seguido de Roland Barthes e Robert Musil", de Gonzalo M. Tavares (Relógio d’Água)
A primeira parte do livro, que abre a série Bloom Books, resulta numa reunião de pensamentos dispersos, que moldam a história de Maria Bloom, uma mulher que teima em sobreviver às desgraças. Lêem-se palavras que se montam e desmontam em busca da perfeição, sentem-se temas como a maldade e a luta constante até ao equilíbrio, como “yang” e “ying”, entre o natural e o artificial. As tabelas literárias, ideias e citações à solta, invocadas em Barthes e Musil, fecham a segunda metade da obra.

"Satanás", de Mário Mendoza (Temas e Debates)
Uma Bogotá caótica, auto-destrutiva e apocalíptica é o cenário de um livro sobre a queda de várias personagens ao inferno. A visão violenta de Mário Mendoza, herdeiro de nomes como Carlos Fuentes e Gabriel Garcia Marquez e influenciado com a morte de 20 pessoas, em 1986, às mãos de um colega de faculdade, já lhe valeu o prémio Biblioteca Breve. “Satanás” é um livro pesado. Não é religioso. Não é policial. É apenas uma análise às profundezas da mente humana.(by Luís Mateus)