quarta-feira, março 16, 2005

Sugestões de leituras (de 16 a 23 de Março)

"Khadji-Murat", de Lev Tolstoi (Cavalo de Ferro)
O último livro do autor de “Guerra e Paz”, deixado por terminar segundo o mesmo, narra a história do mais famoso guerreiro checheno, Khadji-Murat. Sem a complexidade de acções e personagens do mais célebre romance de Tolstoi, já aqui referido, esta obra saiu ao caminho literário do escritor como mais uma reflexão sobre as ligações entre o poder, a violência e a corrupção. Murat tem um plano, acabar com a lei dos mais fortes.

"O Porteiro de Pilatos", de Jean d’Ormesson (Europa-América)
Tem como pós-título “O Segredo do Judeu Errante” e é sobre o que um sapateiro judeu chamado Ahasvérus, condenado pela dureza de coração a errar pela terra até ao Dia do Julgamento Final – a lenda conta que terá recusado um copo de água a Cristo –, tem para contar. Um casal encontra-o em Veneza e ele conta-lhes a sua visão da história do mundo desde a invasão romana da Palestina até esse dia. Um bom romance, apesar de algo confuso nos primeiros capítulos devido à quantidade de histórias paralelas. Está anunciado como o “mistério de Jesus que o Código Da Vinci não revela”.

"O Interior", de Lisa See (Livros do Brasil)
Um livro sobre as boas intenções e como estas podem ser corrompidas. Sequela de “Flower Net” (não publicado em Portugal), mas com vida independente, “O Interior” relata os esforços de Liu Hulan e David Stark em desvendar uma série de crimes cometidos em Los Angeles e Pequim e em acabar uma fraude de proporções gigantescas. Os costumes chineses do passado e do presente dão um cenário exótico à série de mortes habitual nas obras policiais.

"Os Olhos do Homem que Chorava no Rio", de Ana Paula Tavares e Manuel Jorge Marmelo (Caminho)
“A primeira luz da manhã entra no quarto. Não chega ténue, não pede licença. Invade, amarela e diáfana, a nesga livre deixada pelas coisas sólidas da natureza. Recorta-se no chão, traça um espaço luminoso de geometria vaga – e aí nasce o corpo inaugural, bonito e firme, iluminado de frente, quase irreal”. É assim que começa o último romance editado pela Caminho. Brasil, Portugal e Angola numa mistura feliz de cheiros, sabores, imagens, pessoas e palavras.

"Desconseguiram Angola", de António Valis (Celta Editora)
“Um sonho perdido, um pesadelo fútil ou uma loucura portátil”. É aviso da nota introdutória, antes de se virar a primeira página, antes do mergulho às profundezas de uma Angola marcada em tudo pela guerra. Entre linhas, as pessoas, a terra, os sentimentos, a vida... Questões sobre o carácter humano e a tendência de auto-destruição.
(by Luís Mateus)