segunda-feira, fevereiro 21, 2005

Sugestões de leituras (de 21 a 28 de Fevereiro)

"A Filha da Curandeira", de Hernán Huarache Mamani (Presença)
Um raio transforma uma bela índia numa mulher-serpente, revela-a ao mundo e a si própria, torna-a capaz de se superar, de derrubar a sua resistência, perante o fascínio por um homem. Kandu viaja pelas crenças dos antepassados, pela sabedoria xamânica, e acaba a descobrir que o amor é a magia mais poderosa.

"As Noivas de São Bento", de Artur Portela (D. Quixote)
Ele escreve o que vê e sente do alto da calçada. As cartas revelam o homem que é e o que os outros são. Todos os destinatários são mulheres, dezenas de mulheres, sobre as quais exerce o seu poder. Uma viagem a um Portugal diferente, visto pelo olhar aguçado de quem já vai no sétimo romance.

"Nossa Senhora da Floresta", de David Guterson (Europa-América)
O autor de “A Neve Caindo sobre os Cedros” conta neste novo romance a história de uma rapariga de 16 anos, que fugiu de casa depois de ter sido violada pelo namorado da mãe e de ter abortado duas vezes. Vive de quase nada nos bosques, e a Virgem Maria aparece-lhe e pede-lhe para que construa ali uma igreja. A notícia das aparições reúne multidões nos bosques. Guterson aborda temas como a religião e a fé, e o aproveitamento que se faz sobre os mesmos. Um livro que ficou ainda mais próximo dos portugueses depois da morte da irmã Lúcia, vidente de Fátima, no dia 13.

"Os Crimes do Sino Dourado", de Robert van Gulik (Gótica)
Esta é a história de um juiz-detective que se tornou tão famoso no século VII d.C. como Sherlock Holmes foi em Inglaterra. Só que Dee Jen-Djieh foi uma personagem retirada da realidade histórica da China Imperial. O holandês Robert van Gulik, um erudito e poliglota, realizou importantes estudos sobre a cultura deste país asiático e, por isso, tornou-se no homem ideal para escrever sobre a intrigante personagem. Os crimes acontecem e o leitor acompanha o juiz Dee enquanto descobre como e por quem foram cometidos. A escrita é fácil e sem grandes floreados, o autor também não introduz doses elevadas de suspense, mas é surpreende a forma como somos transportados a um tempo tão distante de nós.

"O Calígrafo de Voltaire", de Pablo de Santis (Temas e Debates)
A moda dos thrillers pegou de estaca em Portugal. Um homem viaja com o coração do antigo mestre Voltaire dentro de um frasco e recorda as investigações feitas sob as suas ordens. O melhor do romance é a sensação criada de um mundo em que as dimensões se confundem: as máquinas e as pessoas, a realidade e o sonho. A escrita do argentino de Santos traz-nos aos dias de hoje um mundo já desaparecido, mas ainda presente, com as suas paixões, demandas e mistérios. E um enigma que nos prende até à última página.
(by Luís Mateus)