sexta-feira, fevereiro 25, 2005

O Livro depois do Código

“O Código Da Vinci”, editado pela Bertrand, foi um fenómeno de sucesso em 2004. Surgiram no mercado português, logo depois de terem sido conhecidos os primeiros números, outros livros. Os primeiros decifravam a obra de Dan Brown, os restantes eram outros “códigos” para seduzir o leitor nacional.

Estava descoberto um novo filão. A Presença foi a editora que se mostrou mais preparada para explorá-lo. “O Códice Secreto” foi o último dos três livros lançados no mercado pela empresa, depois de “Imprimatur - O Segredo do Papa” e “A Regra de Quatro”. Curiosamente, todos partem do mesmo ponto: livros ou documentos antigos, que revelam muito mais do que era conhecido.

O livro de Lev Grossman, “O Códice Secreto”, é ambicioso. Não é fácil misturar um jogo de computador e a investigação de um livro do século XIV, chamado “A Viage to the Contree of the Cimmerians”, mas a combinação resulta bastante bem. Edward também não é uma personagem por quem seja fácil apaixonar-se, mas as páginas vão ficando para trás e o leitor permanece ao seu lado na missão de descobrir um livro que toda a gente pensa que não existe.

As comparações com o Da Vinci de Brown são inevitáveis, mas o Códice ganha nos meios que levam a atingir o seu fim: Grossman não precisa de mortes ou de colocar o seu personagem em fuga para motivar quem lê a continuar numa busca ávida pelo final. O Códice é sobre livros e o seu poder de encerrar verdades.

Outros bons “thrillers”
“É um thriller histórico apaixonante, de grande intensidade detectivesca, que veio agitar o universo literário pelo efeito sísmico que as suas revelações – corroboradas por documentos históricos – produziram”. Não, não é do “Código” que se fala. Este é o texto de apresentação de “Imprimatur”, romance de dois italianos, Rita Monaldi e Francesco Sorti.

A partir de uma estalagem em que os hóspedes são colocados de quarentena, depois da morte misteriosa de um deles, desvela-se a Roma do século XVI, onde se cruza política, religião e espionagem, numa intriga que quer descobrir “documentos sensacionais nos arquivos do Vaticano” e em que “finalmente se revela um segredo de há séculos”. De entre o joio, este é um livro que se lê bem.

“A Regra de Quatro” também se diferencia de “O Códice Secreto” e aproxima-se de “O Código Da Vinci”. O livro de estreia de Ian Caldwell e Dustin Thomason reúne dois estudantes na investigação do “Hypnerotomachia Poliphili”. Loucura, traição e assassínio surgem durante a decifração da mensagem contida no livro e aumentam o suspense a níveis dramáticos, longe do pragmatismo de Grossman. Num ápice, forma-se para o leitor um remoinho ao qual é impossível escapar.

No dia 3 de Março, a Bertrand edita “Anjos e Demónios” de Dan Brown e o mercado português parece longe ainda de estar saturado.
(by Luís Mateus, com Miguel Marujo)