segunda-feira, janeiro 31, 2005

Assis, um bom 9 e meio

Não podia ter desejado melhor estreia. Titularidade, um golo, palavras elogiosas do treinador. Nuno Assis colocou bem alta a fasquia no primeiro jogo com a camisola do Benfica e agora tudo o que fizer tem de andar próximo do encontro de Guimarães. Tem talento para isso, mas sabe que um passo em falso pode custar-lhe o estado de graça perante os exigentes adeptos encarnados.

Quem pensa que Nuno Assis é um tradicional número 10 está enganado. No limite, trata-se de um nove e meio, nem avançado-centro nem fantasista, para lembrar esse epíteto atribuído em Itália a quem tem mais talento que os outros e faz jogar em redor de si a própria equipa, como Rui Costa.

Para nove e meio, o ex-vimaranense nem está nada mal. Marca os seus golos, não é egoísta à frente da baliza e tem pulmão para correr pelos pedaços de relva onde as duas espécies - o 10 e o 9 - costumam saborear o seu jogo. Talvez por isso tenha sido uma boa ideia. Talvez por isso e pelo talento que não se pode negar-lhe, pode vingar na Luz. Mas ele sabe que terá de resistir às ondas e às paixões dos quatro anéis do novo estádio. E sabe também que quanto maior for a responsabilidade maior será o risco de desiludir.