sexta-feira, dezembro 31, 2004

A Paixão de Gibson

Realismo. Esta foi a grande aposta de Mel Gibson em “A Paixão de Cristo”, um filme que conta o calvário de Jesus (interpretado por Jim Caviezel) antes da crucificação. O realizador australiano, que divide os créditos do argumento com Benedict Fitzgerald, pretende mostrar a verdade do que aconteceu no ano 0 da nossa era. Um épico de dor e sofrimento em que o espectador não é poupado em qualquer pormenor. E, por isso, ainda é mais polémico. O que é o mesmo que dizer mais famoso, mais visto, mais rentável.

Aramaico e latim. As duas línguas faladas no filme de Gibson. Porque era assim. Judeus e romanos são as personagens centrais da trama. O realizador consegue com isso duas vitórias: ser original e reforçar o conceito de realismo, levado ao extremo nas imagens. O espectador é testado até ao limite das suas emoções ao deparar-se com momentos de tortura e muito sangue, ao jeito de um filme de Quentin Tarantino, mas com um argumento bem menos original. Por isso, e pelo papel que os judeus têm no filme, ao entregarem Cristo à morte, foi considerado anti-semita nos Estados Unidos e um pouco por toda a parte.

454 milhões de euros foi o que o filme rendeu na bilheteira em todo o mundo, depois de ter custado cerca de 18 para ser produzido. Mel Gibson comprou uma ilha no Pacífico com parte do lucro.
(By Luís Mateus)